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Uma história de amor regada a limãozinho

No Dia Nacional da Cachaça, saiba como a bebida tradicional no Vale do Itajaí foi importante para o romance de um casal guabirubense
Fotos: reprodução

É da fermentação e destilação do caldo de cana ou do melaço que vem ela: pinga, cana, caninha, cachaça... amada por boa parcela dos brasileiros, a bebida base da caipirinha está entre os aperitivos etílicos mais vendidos em território tupiniquim. Fazendo justiça: a ‘branquinha’ também faz um sucesso danado no ‘estrangeiro’. E é nesta quarta-feira (13), que comemora-se em todo o país o Dia Nacional da Cachaça.

Aqui no Vale do Itajaí, porém, tornou-se tradição produzir uma especiaria bastante peculiar com a cachaça. Trata-se do famoso limãozinho. Quem não conhece, no eixo Brusque, Guabiruba ou Botuverá, algum familiar ou amigo que produz de maneira artesanal, como hobbie mesmo, o famoso aperitivo, também bastante encontrado nos restaurantes da região?

Quem nunca viu um litro de Coca-Cola sendo utilizado, não para transportar o líquido castanho e adocicado, mas sim a agradável e – alguns dizem – até mesmo saudável (se for consumida moderadamente) cachacinha? A verdade é que podemos considerar o limãozinho um patrimônio cultural de toda a mesorregião. 

Em Guabiruba, a bebidinha já faz até casal se apaixonar. Duvida? Então acompanhe só a história do romance entre Méroli Habitzreuter e Rafael Mattioli. 

Era 25 de julho de 2010, final de tarde, de mais uma deliciosa e animada Stadplatzfest, em Guabiruba. Regada pelas melhores bebidas da cidade: limãozinho e uma purinha do Atuaschnaps. Não esquecendo de uns pitoquinhos saborosos de anis, que escorriam pelo caminho. Não tinha como o amor não acontecer! “O aconchego da festa me fazia retornar pela primeira vez ao início da rua, por volta das 16h, e como uma autêntica Guabirubense, ofereci, em sinal de animosidade, o primeiro, dos que seriam infinitos “slucks” ao Rafael. Desafio aceito. Selaria o início da nossa história. Sim, sempre acreditei que dá sorte, iniciar com uma boa bebida, ao invés de um beijo”, ressalta Méroli.

E ao que tudo indica a ‘mandinga’ da guabirubense funcionou, conta Rafael. “E lá estava eu, em meio aos últimos amigos que ainda estavam na barraca. Surge ela, de largo sorriso, com dois copos na mão. Logo eu descobriria que um era cachaça das bravas e outro limãozinho açucarado. Como boa alemoa da Guabiruba que é, esticou um dos braços e disse:  - Quer um sluck? Fui obrigado a recusar, o tonelzinho já estava transbordando (risos). Foi aí que fui lembrado, do quanto as alemoas da Guabiruba podem ser teimosas e convincentes.  Ela, virou um dos copos, olhou para o meu amigo e disse: - Que pitoco! Não é como os daqui! Não tens vergonha? Imediatamente, pedi o outro copo que ela tinha. Virei, tentando não fazer cara feia. Era forte pra dedéu aquele negócio. Meu coração amoleceu, minhas pernas também e até hoje, perco o juízo com ela”.

Depois de quatro anos de provas de bebidinhas quentes, o casal decidiu experimentar algo novo em todos os sentidos. Passaram a produzir o próprio limãozinho e a namorar. Prática que deu um sabor totalmente especial a relação.  Virou tradição, em épocas de limão, aproveitá-los da melhor forma (claro, não esquecendo de reservar alguns para o tempero de um delicioso churrasco). “Hoje, fazer o nosso limãozinho é comungar um aperitivo em comum, poder recepcionar as pessoas em nossa casa com algo ‘feito por nós’, pensando que oferecer um bom ‘sluck’, é praxe por aqui, e claro, manter em dia o nosso desafio de 2010. (risos). Os pés de limões carregados da minha irmã, em certa medida, engordaram o nosso estoque e acabamos comercializando uma parte do que produzimos e presenteando os amigos e familiares. É gostoso compartilhar...”, continua a ‘alemoa’ de Guabiruba. 

Receita

Com o casal, não tem essa de segredo trancafiado nos cofres. Eles afirmam que a receita base do limãozinho não fuja muito do tradicional. “Usamos o limão caseiro, a boa cachaça do Atuaschnaps é indispensável, um pouco de canela, um pouco de baunilha. O ajuste final, fica por conta do paladar. Acho que este é o nosso toque pessoal: quando os pés amolecem, a coxa sente a formiguinha descendo. Está pronto, hora de engarrafar”, diz, entre risos, Méroli, que, além de produtora artesanal do produto, é uma escritora de mão cheia, assim como vocês já puderam verificar.

Santo remédio?

Tem gente que bate o pé e jura por tudo que a bebidinha doce tem um santo poder de cura, principalmente daqueles resfriados que derrubam qualquer vivente. Para Méroli e Rafael, porém, um pitoquinho de vez em quando faz bem, mas para a alma. “Não temos uma regra para tomar o limãozinho. A rotina segue de acordo com o espírito do momento. Estar saudável, é estar feliz, e o limãozinho sempre nos ajudou nisto”, complementou Habitzreuter.

Origem

Falamos e falamos, mas ainda não explicamos como cada um conheceu o limãozinho. Vamos deixar o casal falar, então. 

Méroli: Aqui na Guabiruba, este tipo de bebida artesanal sempre fez parte do cotidiano das famílias. Me recordo, que o meu tio Carlos fazia uma caipira deliciosa, que era atravessada pelo portãozinho, entre as casas. Ele sempre tinha diversos tipos de cachacinhas para experimentar: amarguinha, jabuticaba, purinha, butiá, era um festival. Na rua, o Sr. Ervino, também nos oferecia a cada volta da caminhada um ‘sluck’ de anis (que até hoje foi o melhor que tomei da espécie). Nas nossas festas das antigas, o cuba era a nossa medida. Nos aniversários de 15 anos, batidinhas de coco, maracujá, vinho... O limãozinho em si, a primeira vez que experimentei, foi em um sítio na Guabiruba Sul. Aiaiai, bons tempos estes! Mais do que a bebida em si, os momentos que inspiram!   

Rafael: Pelo que me recordo, a primeira vez que experimentei o limãozinho foi na adolescência, pelas turmas do Guarani. Penso que o limãozinho pode ser comparado ao chimarrão. Serve para unir as pessoas, trocar uma boa prosa. É 100% natural. Geralmente se toma para “abrir o apetite” enquanto se prepara uma boa comida. As pessoas que o tomam, rapidamente ficam alegres, soltas, extrovertidas...

 
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Fonte: da redação

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