TRADIÇÃO
Pesquisa revela que dialeto Badisch perde espaço entre as novas gerações em Guabiruba
Estudo identificou que o idioma ainda é símbolo de identidade cultural, mas seu uso diminui entre filhos e netos dos falantes
Publicado em
25/06/2026 às 10:45
Atualizado em
Uma pesquisa inédita sobre o dialeto Badisch revelou que a língua de origem germânica ainda permanece presente em Guabiruba, especialmente no ambiente familiar e comunitário. Ao mesmo tempo, o estudo aponta uma redução na transmissão do idioma entre as novas gerações.
O levantamento foi realizado pelo pesquisador Elivelton Reichert, com colaboração da pesquisadora e tradutora Roseane Huber de Souza, e reuniu entrevistas com 23 moradores de diferentes localidades do município, além de mais de 100 respostas obtidas por meio de um questionário on-line.
Entre os participantes das entrevistas presenciais, todos afirmaram que pais e avós falavam o dialeto. No entanto, apenas 34% disseram que filhos ou netos ainda utilizam o Badisch, indicando que o idioma tem deixado de ser transmitido dentro das famílias.
Outro dado apontado pela pesquisa mostra que há mais pessoas capazes de compreender o dialeto do que de falá-lo. Segundo os pesquisadores, o Badisch permanece como um importante elemento de identidade cultural, mas seu uso tem ficado restrito principalmente às relações familiares, religiosas e comunitárias.
Entre os fatores apontados para a diminuição do uso estão a predominância do português nas escolas, mudanças na dinâmica das famílias, casamentos entre falantes e não falantes, além da menor necessidade do dialeto no cotidiano.
Apesar disso, o levantamento identificou um forte interesse da população pela preservação da língua. Cerca de 92% dos participantes defenderam que o Badisch ou a língua alemã voltem a ser ensinados às novas gerações, por meio de escolas, cursos, eventos culturais e outras iniciativas.
Para Elivelton Reichert, ainda há tempo para reverter esse cenário.
"Temos uma janela de 15 a 20 anos para mudar o rumo do dialeto na cidade e transformar o que conhecemos como parte da identidade guabirubense", afirma o pesquisador.
A pesquisadora Roseane Huber de Souza destaca que o Badisch preservado em Guabiruba desenvolveu características próprias ao longo das gerações.
"O Badisch falado em Guabiruba é basicamente oral" e, devido à transmissão entre famílias e ao isolamento geográfico, desenvolveu variações próprias de pronúncia e vocabulário, explica.
Como parte do projeto, os resultados serão apresentados à comunidade em um encontro no dia 13 de julho, às 19h, no Museu Casa Scharf. Também será produzido um relatório com registros do vocabulário, entrevistas e materiais que irão compor um acervo digital sobre o dialeto.
Fonte: Portal da Cidade Brusque
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