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Imigração

Brusque atrai venezuelanos para trabalhar e constituir família

Mais de 20 pessoas vindas da Venezuela já trabalham em Brusque e buscam reconstruir a vida na cidade

Postado em 08/08/2019 às 14:05 |

(Foto: Arquivo pessoal / Divulgação)

Acolhedora, segura e com muito potencial industrial. De longe, Brusque se destaca como cidade ideal para quem busca um lugar tranquilo para trabalhar e constituir família. Com tantos privilégios, a cidade é alvo para muitos que vêm de fora a procura de uma oportunidade ou um “lugar ao sol”, entre eles, brasileiros de inúmeros estados, mas também venezuelanos.

Muitos dos Venezuelanos que vieram para Brusque, ainda no começo do ano motivados pela crise econômica que assola o país vizinho, chegaram em Santa Catarina e foram acolhidos pela Igreja Embaixada do Reino de Deus, em Balneário Camboriú. Lá eles permaneceram por três meses e dali foram distribuídos para cidades próximas.  

Á época, a igreja fez a acolhida de cerca de 200 venezuelanos, no entanto, procurada pela reportagem do Portal da Cidade, não soube informar dados sobre quantos desses imigrantes deixaram a cidade Balneário Camboriú para residir em Brusque.

Por aqui, o município também não possui dados estatísticos que possam garantir o controle da entrada e monitoramento, no que diz respeito a questões de segurança e saúde pública. A secretaria de assistência social informou que “não é responsável por fazer o mapeamento da entrada de qualquer pessoa na cidade, independente de sua origem”.  

Empregabilidade 

Ao chegar em Brusque, a maioria dos venezuelanos procuram por emprego a fim de estabelecer residência e constituir família em solo brusquense. Em uma empresa que fabrica zíperes, linhas e fios, por exemplo, já são 19 venezuelanos contratados que desde a sua chegada exercem a função de auxiliar de produção.  

A diretoria da empresa informou à reportagem que o objetivo das contratações está em gerar oportunidade e contribuir com aqueles que precisam reconstruir a vida e escolheram Brusque para isso. “Quando as pessoas trabalham em um ambiente no qual se sentem bem-vindas, elas trazem melhores resultados para a empresa. Aqui eles se demonstraram como pessoas dedicadas, que procuram empregar o seu potencial e assim inspiram a equipe”.  

Conforme a mesma empresa, não é de hoje que são recebidas pessoas de outros estados e até mesmo países para compor o quadro de funcionários. “Nosso objetivo, é oferecer oportunidade a todos que buscam crescimento, independente de cor, sexo ou religião, construindo laços sólidos, a fim de expandir e gerar bons resultados entre empresa e colaborador”. 

Uma nova vida  

Entre os venezuelanos que vivem e trabalham em Brusque, está Gina Zoino da cidade Puerto de La Cruz. Ela trabalha na casa de um médico da cidade e atualmente já reside junto à família. Gina relata que a situação política da Venezuela foi determinante ao decidir abandonar o país de origem. “A situação política é horrível. A inflação ultrapassa os limites e o salário não é suficiente para cobrir despesas básicas, como alimentação e despesas médicas”, diz.

Ela também contou que viveu situações em que não havia eletricidade, nem gasolina ou remédios à disposição para comercialização. “A sensação de insegurança também era muito grande”, complementa.  

Trajeto e Fronteira 

Para chegar até Brusque foi necessário percorrer um longo trajeto. Ela e o marido vieram para o estado de Santa Catarina logo após a vinda da enteada que foi acolhida em Balneário Camboriú.

Gina relata que viveu junto ao esposo, momentos de tensão na fronteira da Venezuela com o Brasil. “A viagem não foi fácil para nós. Quando saímos da Venezuela houve conflitos na fronteira e tivemos que percorrer a trilha de lá até Pacaraíma, no Brasil, onde fomos recebidos muito bem com água e comida”, diz.

Já em solo brasileiro, eles também receberam documentos e passagens de ônibus para Manaus. Dali, foram enviados para Balneário Camboriú e mais tarde, em razão do trabalho da enteada, toda a família mudou-se para Brusque. 

Há cerca de quatro meses residindo na cidade brusquense, trabalhando e com a família por perto Gina fala em sonhos e planos para o futuro. “É um novo começo para nós e o que temos é muita fé. Vemos que aqui podemos continuar porque há muitas oportunidades de trabalho e muitas pessoas boas que querem ajudar”, explica, revelando que o sonho maior da família é recuperar aqui o que precisou deixar para trás na Venezuela. “Nossos sonhos estão em ter o nosso próprio negócio. O meu esposo sonha em abrir a sua própria oficina mecânica porque era isso que ele tinha na Venezuela. Então queremos reconstruir aqui o que tínhamos lá com fé em Deus e seguindo em frente com muita força”.   

Olhar internacional para fronteira 

Os picos de maior tensão em Pacaraíma, foram registrados em fevereiro de 2019 quando a fronteira ficou fechada por cerca de 10 dias e ocorreram situações de conflito. Nestas condições, indiretamente, o destino de Gina e do marido cruzaram com o do jornalista da emissora de televisão Band Roraima, Iury Carvalho. Com um olhar apurado, Carvalho que já faz a cobertura jornalística de tudo o que acontece na fronteira desde 2016, relata que desde essa época - e com os episódios que vieram na sequência com o estopim em 2017 e o fechamento da fronteira em 2019 - os olhos da imprensa internacional voltaram-se para àquela região.

Segundo ele, existe um interesse muito grande em saber como os venezuelanos estão vivendo, como o governo federal está lidando com a situação e como os civis brasileiros lidam com isso. “O que a gente tem percebido é que a população quer que tenha mais assistência para essas pessoas que chegam aqui ou que levem elas para outras localidades”, explica.

Na condição de jornalista, Iury aponta a falta de informações concretas como um problema para toda a sociedade. “A nossa percepção como jornalistas é que precisaria ser feito um senso com quantas pessoas entram, quantos querem viver e trabalhar para haver políticas públicas, inclusive levando em consideração antecedentes criminais e vacinais”.  

Processo de interiorização  

O processo de interiorização que se dá pela acolhida dos imigrantes em municípios de outros estados brasileiros ainda acontece de forma lenta. Segundo Carvalho, cerca de 5 mil imigrantes venezuelanos já foram encaminhados para outras localidades, mas ainda existem 6 mil abrigados na cidade e outros milhares que vivem na região de Pacaraíma em situação de rua.

“O exército brasileiro tem feito um trabalho exemplar nessa região, mas não pode forçar nenhum estado a receber e fazer a acolhida dessas pessoas. Cada local tem que demandar”, finaliza.


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