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Cultura

Festival de Inverno coloca em pauta a valorização dos artistas locais de Brusque

Formação de plateia, ocupação dos espaços públicos e incentivos à economia criativa são temas discutidos pelos próprios artistas

Postado em 19/07/2019 às 21:01 |

Grupo Trama de Teatro e espetáculo 'Fany: a rainha da cidade' (Foto: José Luiz Day )

Do dia 29 de julho ao dia 4 de agosto Brusque respirará cultura. Isso porquê o município realiza neste período a 10ª edição do Festival de Inverno. Na programação estão mostras teatrais e de audiovisual, além de performances musicais, oficinas e tour pelos museus da cidade.

Para 2019, a novidade está na 2ª edição da mostra de teatro – que reunirá 12 espetáculos - compondo a programação oficial do Festival de Inverno, promovido pela Fundação Cultural de Brusque. “O próprio Festival de Inverno nasceu com foco no teatro, mas depois tomou novos rumos’, aponta a arte educadora Jaqueline Silva.

Ela explicou que a Fundação Cultural tem empregado esforços em reunir a classe dos artistas, novamente, a fim de promover o diálogo e com isso, encontraram uma oportunidade no festival para reunir todos os espetáculos que têm sido produzidos pelos artistas locais.

Economia Criativa

Na sessão da Câmara de Vereadores da última terça-feira (16)  o coordenador da Fundação Cultural de Brusque, Igor Balbinot, apresentou em números a importância do festival que fomenta a economia criativa na cidade. Os dados levantados por Igor mostram que 4% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) do município de Brusque é movimentado pela economia criativa que envolve as artes em geral, além do audiovisual, moda, designer, arquitetura e outros.

Com o lançamento oficial do evento, a valorização dos artistas locais voltou ao centro do debate. “A arte, o teatro está voltando a ter forças em Brusque e isso é bom para todos, pois contribui para a formação de plateias, fomenta a economia criativa e atrai o olhar das empresas para apoiar, porquê é algo que mexe com vários setores”, aponta o ator e diretor do grupo Trama de Teatro, Everton Girardi.

O grupo dele possui cerca de 15 integrantes entre atores e equipe técnica. A Trama participará do Festival de Inverno com quatro apresentações, sendo um espetáculo infantil, denominado ‘A criança sem nome’, além das peças ‘Emprego do demônio’, ‘Escuta aqui’ e o mais aguardado ‘Fany: A rainha da cidade’.  

Valorização

Quem também fará apresentações no festival é o ator independente, Douglas Leoni. Ele atua como Microempreendedor Individual (MEI) com a empresa 2 metros produções artísticas. Douglas apresentará a performance “Oráculo” e também o espetáculo com palhaço ‘Pequenas miudezas’.


Para ele, o momento de união dos artistas é dos mais importantes na cena local, nos últimos anos. Ele acredita que o espaço da Fundação Cultural deva ser a casa do artista brusquense “ajudando na criação, organização e cumprindo o seu papel paterno, colocando os grupos no espaço e fazendo com que tenham visibilidade”, diz. “Dessa forma espero que possamos ter mais ações para juntos lutar por espaços concretos para ensaios e apresentações, afim de que os empresários conheçam mais os artistas e possam contratá-los”, complementa.

Beatriz Zancanaro é atriz e professora do grupo Universo Cênico. Durante o Festival ela se apresentará com o espetáculo 'Jogos de Improviso' com uma proposta de interação com o público que irá para assistir, mas também participar. 

 Para ela, o momento é difícil para a cultura em geral devido aos recentes cortes de recursos para o setor, porém, em Brusque, este “é um momento importante para conseguir se firmar como movimento artístico conquistando cada vez mais espaço no próprio município e em toda a região”, disse.


Ação

Na prática, os artistas já começaram a se organizar. A Fundação Cultural contratou o arte educador, Thiago Martins, que está fazendo o mapeamento dos artistas locais. O trabalho dele é fomentar o diálogo e elaborar estratégias a fim de impulsionar as atividades teatrais no município. A primeira ação já começou a ser realizada. São os encontros mensais que acontecem na Fundação Cultural em que todos os artistas são convidados a participar e construir no coletivo. Além de unir os artistas, Martins atua junto à Jaqueline com ações envolvendo o poder público, o Sesc de Brusque e outras parcerias no setor privado.

Formação de plateia

 A fim de movimentar ainda mais a cena local, a fundação Cultural tem realizado o projeto de “Formação de Plateia”. O objetivo é fazer com que cada vez mais as pessoas reconheçam e saibam que há muitas opções artísticas na cidade. O projeto é desenvolvido junto à prefeitura de Brusque com ações específicas para os jornalistas recebidos quinzenalmente pela assessoria de comunicação e também junto às escolas municipais. “A nossa ideia é chegar em lugares impensáveis. Se nós pudéssemos faríamos esse projeto por 24h por dia”, brinca Jaqueline.

Espaços de referência

O trabalho desenvolvido por Jaqueline e Martins junto à Fundação Cultural é no sentido de tornar o espaço uma referência para os artistas. Ela aponta que Brusque possui uma infinidade de Espaços Culturais realizando as suas produções, no entanto, para os artistas que trabalham de forma independente e, até mesmo para os grupos, existem barreiras que ainda precisam ser vencidas.


Uma das dificuldades enfrentadas está no aluguel dos espaços para a realização dos espetáculos. “Então a nossa intenção é que a Fundação Cultural seja essa referência que acolhe os artistas e que possua uma agenda constante de apresentações”, diz Martins. “É uma alternativa que encontramos para trabalhar essa questão do espaço referência”, complementa Jaqueline.

Para a atriz Beatriz do Universo Cênico, o ideal seria que a cidade possuísse um teatro municipal. “Até existe um projeto de lei para que o município tenha um teatro. Seria ideal, porque além de suprir essa demanda dos artistas, um teatro fomentaria a economia e o turismo na cidade”, finaliza.


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