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Festival

Última sessão da peça “Fanny, A Rainha da Cidade" acontece neste domingo (4)

Apresentação acontece no Teatro do Cescb, às 19h; ingressos estão à venda na Livraria e Papelaria Graf

Postado em 31/07/2019 às 08:17 |

(Foto: José Luiz Day da Silva)

“Fanny, A Rainha da Cidade” vai comemorar o 159º aniversário de Brusque neste domingo (4) de agosto, às 19h, com uma sessão especial no Teatro do Cescb (Rua Pedro Werner, 180, Centro). O espetáculo do Trama Grupo de Teatro, que estreou em março com quatro sessões lotadas, encerra a programação do 10º Festival de Inverno do município, que iniciou na segunda-feira (29). Esta será a última apresentação que o grupo brusquense realiza deste trabalho em 2019. Os ingressos estão à venda na Livraria e Papelaria Graf, a R$ 20 (preço único). A classificação indicativa é de 16 anos.
Obra de ficção baseada na literatura e em relatos orais, a montagem reverencia a memória de Francisca dos Anjos de Lima e Silva Hoerhann, a Fanny, que marcou época e gerações de brusquenses. A criação teve como ponto de partida o livro “Fanny, uma vida em perspectiva” (Grupo Uniasselvi, 2010), de Aquiles Duarte de Souza, e se debruçou ainda sobre uma série de outras obras literárias locais. 
No século passado, Fanny esteve à frente de uma famosa casa de prostituição no bairro Santa Terezinha. Entre os causos atribuídos a ela e explorados livremente pela dramaturgia do espetáculo, consta a ameaça de entregar, ao vivo, num programa de rádio, os nomes de devedores de seu estabelecimento. A origem indígena da personagem-título também ganha espaço, com passagens que remetem ao matrimônio de Fanny com Eduardo de Lima e Silva Hoerhann, descendente do Duque de Caxias, e à vida do casal em Ibirama, antes dela migrar para Brusque, em 1939. 
A apresentação no Festival de Inverno tem o apoio da Prefeitura Municipal de Brusque, através da Fundação Cultural de Brusque e com recursos do Fundo Municipal de Apoio à Cultura; Centro Empresarial, Social e Cultural de Brusque; Beto Pães e Doces; Livraria e Papelaria Graf; Centro de Treinamento Sorjai; Griô Filmes; Renaux View; Rakia - Soluções em Energia Solar; e Raffcom. 
Pesquisa e Dramaturgia
A despeito da atividade pela qual é comumente associada, Fanny quebrou paradigmas, conquistou notório respeito e inegável admiração social. Em “Fanny, uma vida em perspectiva”, Duarte de Souza a descreve como “dona de dignidade ilimitada, dama corajosa, batalhadora” e “uma mulher muito à frente do seu tempo”. 
No decorrer do processo criativo, o grupo somou à pesquisa o capítulo “A bicicleta da Fanny”, do livro “Pedalando pelo tempo - História da bicicleta em Brusque” (Nova Letra, 2011), de Ricardo José Engel; o capítulo “Quem era Fanny?”, do livro “Histórias e Lendas da Cidade Schneeburg” (S&T Editores, 2009), de Saulo Adami e Tina Rosa; o capítulo “Fanny, a bugra carismática”, do livro “Quando os sinos falavam ao Vale” (Odorizzi, 2009), de Quido Jacob Bauer; o texto “Médico das moças da Fanny”, do livro “Doutor Nica” (DOM, 2012), de Saulo Adami e Jeanine Wandratsch Adami; e trechos do livro “Sentinela do Passado I”, organizado pelo professor Reinaldo Cordeiro, com crônicas de Laércio Knihs (Nova Letra, 2008). 
Outras fontes de inspiração para a dramaturgia foram a reportagem “Francisca dos Anjos, a Fanny, símbolo da independência feminina”, publicada no caderno “Mulheres na História”, do jornal O Município, em março de 2018; a entrevista “Fanny, uma lenda viva de 90 anos”, publicada pelo mesmo periódico em julho de 1990; o artigo “No tempo das bicicletas”, publicado pelo jornal A Voz de Brusque em 2002; a matéria “História de Fanny vira livro”, do blog História de Brusque, de 2011; e a página “Francisca dos Anjos de Lima e Silva”, do site enciclopédia.brusque.sc.gov.br. 
Origem indígena 
O grupo de teatro viajou até a terra indígena Ibirama - La Klãnõ, situada entre os municípios catarinenses de Doutor Pedrinho, Itaiópolis, José Boiteux, Rio Negrinho e Vitor Meireles, em dezembro passado. Pela margem do rio Hercílio, os atores foram conduzidos por moradores até as ruínas do posto indígena Duque de Caxias, fundado em 1914 por Eduardo de Lima e Silva Hoerhann, sobrinho-bisneto do duque e marido de Fanny nas décadas de 1920 e 1930. Funcionário do antigo Serviço de Proteção aos Índios do governo federal, ele tinha a missão de “pacificar” os povos indígenas ao Sul do Brasil, dos quais fazia parte a jovem Francisca, filha de um índio Xokleng e uma mulher de origem europeia. No mesmo local, à beira do rio, também ficava a casa onde viveram Fanny e Eduardo, destruída pelas inundações causadas pelo represamento de águas na Barragem Norte. 
Em Ibirama, o Trama esteve no museu histórico que leva o nome de Eduardo e preserva uniformes, utensílios, armas, imagens e parte da história do “Katangará”, como foi apelidado pelos nativos. No museu, a figura controversa aparece em fotografias acompanhado de Fanny, filhos do casal e índios - aos quais impunha, a mando do Estado, a cultura dos colonizadores. 
Sinopse 
A casa de tolerância da Fanny vai de vento em popa na Santa Terezinha. Tudo o que ela não espera é retornar da lavadeira com uma notícia de tirar o sossego: algum desavisado esqueceu o pijama em meio aos lençóis de suas moças. O pior é que a peça íntima tem as iniciais do dono caprichosamente grafadas. Mas não há tempo para delongas: hoje é dia de receber amigos e clientes para mais uma noite que vai ficar na história da cidade.     
Ficha técnica 
Título original: Fanny, A Rainha da Cidade. 
Autores: Everton Girardi, Talita Garcia e O Grupo.
Direção: Everton Girardi.
Direção de Cenas: Luciano Mafra.
Elenco: Arthur Bigliardi (Martinho), Everton Girardi (Arnold, Eduardo), Fernando Reis (Rico), Janaina Antônia Cavalcante Garcia (Madalena, Nego Edu), Jenifer Schlindwein (Adelaide, Olga), Juliete Silva (Morena, Fanny), Luís Henrique Petermann (Pereira, Eduardo), Roner Lucas (Amadeu, Tavares), Talita Garcia (Fanny).
Figurinos: Andressa Lauz Bigliardi e Juliete Silva.
Confecção de Figurinos: Adelina da Silva.
Cenário: Everton Girardi, Luciano Mafra, Luís Henrique Petermann, Roner Lucas.
Sonoplastia e Trilha Original: João Guilherme Schaefer Minatti e O Grupo.
Desenho e Operação de Luz: Edson Luiz Albino Junior (Juninho).
Audiovisual: Ricardo Weschenfelder.
Maquiagem: Jéssica Tavares e Ícaro Matheus Lima Muniz.

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