O Brusque Futebol Clube vive um momento mágico. Títulos em sequência, liderança do Campeonato Catarinense e vaga garantida na terceira fase da Copa do Brasil. Entre os destaques do time estão dois atletas que se conhecem de outros carnavais. Os zagueiros Ianson e Everton Alemão atuaram juntos nas categorias de base do Caxias, entre 2012 e 2013. Pelo clube gaúcho, disputaram campeonatos como a Copa São Paulo de Juniores. Seis anos depois, eles se reencontraram, dessa vez, com a camisa do Bruscão.
Passado grená
Natural de Uruguaiana, mas criado em Caxias do Sul, Ianson antes de chegar ao clube grená, atuava na base do rival, o Juventude. No Caxias, recebeu oportunidades de atuar, diferente do que acontecia no alviverde, onde estava jogando pouco. “Foi muito bom pra mim ter ido para o Caxias, o Picoli (técnico na época) me levou para treinar com os profissionais, me deu bastante moral”. Nesse período, o clube vivia um momento conturbado nas categorias de base, o que abreviou a passagem do camisa 3 do Bruscão pelo Grená. “Depois da Copinha, fui fazer um teste no São Paulo, mas infelizmente não passei. Quando voltei, inesperadamente a base do Caxias fechou. Fiquei mais dois meses com os profissionais, mas o clube estava em crise, atrasando salários, foi aí que eu decidi sair”, relembra. A partir daí, Ianson passou pelo Clermont, da França e pelo Criciúma, onde fez sua estreia como profissional.
Já Alemão, chegou ao Caxias em 2009, após destacar-se pelo Juventus de Santa Rosa. Ele disputou a Taça Macaé, quando pôde se firmar na equipe. Depois, jogou dois anos no juvenil e dois anos nos juniores do clube gaúcho. Aos 16 anos, profissionalizou-se, e fez sua estreia profissional no Caxias. Mas em 2013 foi para o São José, onde conquistou títulos e a idolatria da torcida do “Zequinha”.

Everton Alemão na época de Caxias em jogo pela Copa São Paulo, em 2013. Ao fundo, Ianson observa a marcação do parceiro de zaga. Foto: Gazeta Press
Embate pela segundona catarinense
Com rumos diferentes da vida, os dois parceiros de zaga perderam o contato, mas costumavam acompanhar a carreira um do outro. Eles chegaram a se enfrentar pela Divisão Especial do Campeonato Catarinense em 2015, quando Ianson atuava pelo Tubarão e Everton Alemão pelo Juventus de Jaraguá. Na tabela, uma vitória para cada lado.
Chegada de Alemão e adaptação ao clube
Ao chegar ao Brusque, Ianson foi peça chave na adaptação do companheiro de posição. Alemão relembra que o “Gamarra do Vale” foi a primeira pessoa com quem falou ao pisar no vestiário do Bruscão pela primeira vez. “Ele logo me recebeu, me deu as boas vindas. Me ajuda bastante, me indica lugares para jantar e até mecânico para o carro. Ele me ajudou bastante desde o início dentro e fora do campo”. Os dois zagueiros titulares do Bruscão são companheiros de concentração, e como bons gaúchos, usam o tempo em que estão concentrados para tomar o tradicional chimarrão e relembrar velhos momentos.
Alemão chegou ao Quadricolor em meio a disputa da Copa Santa Catarina no ano passado. Ele terminou o ano no banco de reservas e não foi muito aproveitado pelo técnico Jersinho. Entretanto, com a suspensão de Cleyton na Recopa Catarinense e com o bom desempenho nos treinos, o defensor conseguiu a titularidade. “Cheguei num grupo que vinha de um título brasileiro, estava bem entrosado. Eu não ia chegar e já ser titular desde o começo, já sabia disso, que teria que buscar meu espaço. Tive que ter paciência e trabalhar forte, me mantendo focado sempre. Tive uma oportunidade de ser titular e depois tive uma sequência que foi muito importante. O grupo me ajudou muito desde que cheguei, sempre fui muito bem acolhido”.
Importância de Cleyton e Neguete
Os dois zagueiros inclusive valorizam a presença de Cleyton e Neguete, atletas com mais tempo de casa e jogadores mais vencedores da história do clube. Os dois, que hoje estão no banco, são atletas que servem de espelho para a dupla. “Eles têm uma história fantástica aqui no clube, são os jogadores que mais conquistaram títulos pelo clube. Eles vem nos ajudando, não temos vaidade no grupo. No ano passado, quando eu estava no banco, os apoiei. Nesse ano, estou sendo titular e eles estão sempre nos dando essa ajuda, assim como o grupo todo. Quando sai gol, os primeiros a saírem comemorando são eles”, exalta Everton Alemão.
Entrosamento rápido
Ianson acredita que os dois se entrosaram muito rápido, o que auxilia a equipe dentro de campo. “O Alemão tem uma qualidade que todos os zagueiros deveriam ter, que é a segurança. Ele vai firme nas jogadas, além de ser técnico e bom na bola aérea. Mas o principal é que ele é um zagueiro muito seguro e rápido, com boa recuperação. Acho que nossas características se encaixam”. O companheiro devolve os elogios. “O Ianson tem uma tranquilidade e uma facilidade enormes para sair jogando. Além de ser muito bom pelo alto, tanto ofensiva como defensivamente. Ele tem uma boa estatura e se impõe, por isso consegue prevalecer na bola aérea.”
Referências na posição
O jogador que Everton Alemão tem como referência na posição é o ex-zagueiro Lúcio, pentacampeão mundial pela Seleção Brasileira. “Sempre falo dele, era um zagueiro que não era tão técnico mas tinha qualidade, saía arrancando e parava no ataque. Tanto que jogou até os 41 anos”, revela. Já Ianson se espelha em outro zagueiro com passagem marcante pela seleção, Thiago Silva, que defende o Paris Saint Germain, da França. “Sempre gostei dele, tento me espelhar no estilo de jogo dele. Mas venho acompanhando também o trabalho do Victor Cuesta, do Internacional. Tento observar as características dele. E também o Van Dijk, do Liverpool, que é o melhor do mundo hoje”, aponta.