COLETIVA
Higo admite “pancada muito forte”, mas garante Brusque vivo na luta pelo acesso
Treinador afirmou que faltou maturidade para administrar vantagem e destacou necessidade de recuperar confiança antes do confronto direto em Limeira
Publicado em 28/09/2026 às 14:13
O técnico Higo Magalhães reconheceu o peso do empate sofrido pelo Brusque diante da Ferroviária, neste domingo (27), no estádio Augusto Bauer, mas reforçou que a equipe segue viva na luta pelo acesso à Série B. Depois do 1 a 1, com o gol adversário aos 45 minutos do segundo tempo, o treinador apontou desgaste físico, falta de maturidade em momentos decisivos e erros na administração da vantagem como fatores que contribuíram para o resultado.
Higo também rejeitou a ideia de que o Brusque tenha simplesmente decidido abdicar do ataque para defender o 1 a 0. Segundo ele, as alterações tinham como objetivo recuperar velocidade para os contra-ataques e, ao mesmo tempo, reforçar o meio-campo diante das características ofensivas da Ferroviária.
O treinador admitiu, porém, que faltou à equipe controlar melhor os minutos finais.
“Faltou um pouco mais de tranquilidade para terminar o jogo. A gente tinha que ter parado mais o jogo. Apostamos que o adversário não conseguiria nos ferir pelo corredor e fomos penalizados”, afirmou.
Desgaste e mudança de postura
Higo explicou que o Brusque iniciou a partida com intensidade e conseguiu executar a proposta planejada pela comissão técnica. Com o passar dos minutos, no entanto, alguns jogadores perderam energia.
“No começo do jogo mostramos que podíamos ganhar. Tivemos muita energia dentro de campo, muita combinação e fluidez. No transcorrer do jogo, fomos perdendo energia”, avaliou.
No segundo tempo, a Ferroviária passou a ocupar o campo ofensivo e empurrou o Brusque para trás. Higo explicou que buscou dar maior sustentação ao meio-campo porque o adversário concentrava jogadores por dentro e tinha como uma de suas principais armas as finalizações da entrada da área.
A intenção também era manter jogadores rápidos à frente para aproveitar os espaços deixados pela Ferroviária. A estratégia, contudo, não conseguiu impedir que o adversário acumulasse posse e pressionasse na reta final.
Segundo o treinador, faltou ao Brusque interromper algumas jogadas ainda no início da construção adversária.
“A gente já sabia que eles iam entrar no corredor e fazer o cruzamento rápido. Faltou balançar mais rápido e parar a jogada na iniciação. Apostamos que o adversário erraria o passe. Houve o cruzamento e fomos penalizados.”
O empate saiu justamente dessa forma. Thiago recebeu pelo lado direito e cruzou para Denílson completar na pequena área.
“O jogo você não controla”
Questionado sobre o Brusque ter passado boa parte da etapa final atrás da linha da bola, Higo afirmou que houve uma combinação entre a pressão da Ferroviária e uma postura mais cautelosa dos próprios jogadores.
Para o técnico, o fato de comandar um elenco jovem também pesa na tomada de decisões em momentos de grande pressão.
“É natural, com uma pressão muito grande e com um grupo jovem, que os atletas queiram fazer um jogo mais seguro. O jogo você não controla. Por mais que você tenha vontade de controlar, você não controla tudo, porque o jogo é feito de tomadas de decisões instantâneas.”
Higo lembrou que a Ferroviária possui jogadores perigosos nas finalizações de média distância e destacou as movimentações de Juninho e Vitor Barreto para o centro, buscando aproximação com Maranhão.
Mesmo depois de estabilizar parte dessa pressão, o treinador afirmou que havia alertado os atletas sobre a necessidade de manter a concentração para impedir bolas paradas e cruzamentos.
“Eu falei para eles que precisávamos ter um nível de concentração alto, porque eles tentariam aproveitar uma bola parada ou uma oportunidade de cruzamento. Nós fomos penalizados.”
“A pancada foi muito forte”
O empate teve peso ainda maior pela situação do Brusque no quadrangular. Higo não escondeu o abatimento do elenco depois da partida.
“A pancada foi muito forte, porque a gente contava com essa vitória. Com todo o respeito ao adversário, quem joga em casa sempre conta com a vitória.”
O técnico afirmou que o sentimento de frustração era natural imediatamente após a partida, principalmente porque o Brusque voltou a sofrer um gol nos minutos finais. Uma semana antes, a equipe havia perdido por 3 a 2 para a própria Ferroviária após sofrer o empate aos 46 e a virada aos 53 minutos do segundo tempo.
Apesar do momento, Higo reforçou que o trabalho agora será recuperar emocionalmente os jogadores.
“Hoje é natural ver os caras para baixo. Mas amanhã temos que juntar novamente e seguir, até porque a gente tem chance. Se estivéssemos eliminados matematicamente, não teria o que fazer. Mas temos condições e vamos lutar até o final.”
Inter de Limeira vira confronto decisivo
Com a Ferroviária três pontos à frente do Brusque e sem novos confrontos diretos entre as equipes, Higo direcionou as atenções para a Inter de Limeira, adversária da próxima rodada.
O treinador destacou que a equipe paulista está imediatamente à frente do Quadricolor e que o confronto direto representa a oportunidade de recuperar terreno na disputa.
“Nosso foco é a Inter de Limeira para tentar retomar essa pontuação. Temos que recuperar os atletas, a confiança e o ânimo deles para que, nessa oportunidade contra a Inter, a gente consiga retomar essa posição.”
Higo deixou claro que a meta é chegar à última rodada, contra o Paysandu, no Augusto Bauer, ainda dependendo das próprias forças para conquistar o acesso.
“Nós temos que chegar vivos contra o Paysandu. Chegar vivos, com a condição real de uma vitória nos carimbar. Vamos fazer esse jogo agora para tentar retomar essa pontuação e chegar ao último jogo em casa com a possibilidade de garantir a classificação para a divisão acima.”
Juventude e maturidade
Ao analisar a sequência de partidas em que o Brusque sofreu gols, Higo também apontou a juventude do elenco como um fator que pode cobrar seu preço em momentos decisivos.
“Talvez, trabalhando com uma equipe tão jovem, você pague o preço. Maturidade é sequência, é calejar, é ser forjado na dificuldade. E nós pagamos um preço.”
O treinador, no entanto, dividiu a análise entre os erros do Brusque e os méritos da Ferroviária.
“Também tem que contar o mérito do adversário. Às vezes a gente fica analisando só o contexto do que nós deixamos de fazer e esquece o que o adversário fez. Pegamos um grande adversário e fomos penalizados na parte final.”
Higo classificou a Ferroviária como um dos adversários mais fortes encontrados pelo Brusque na competição e lembrou que a equipe de Araraquara conquistou quatro dos seis pontos disputados nos dois confrontos entre os clubes no quadrangular.
Jefferson e a faixa de capitão
A coletiva também abordou a escolha de Jefferson como capitão. Higo explicou que considera liderança, experiência e capacidade de comunicação na definição.
“O Jefferson tem essa liderança. É o jogador com mais vivência dentro do campo, está acostumado a viver em um ambiente como esse, está acostumado com cobrança. É um porta-voz do grupo e tem a confiança dos próprios atletas e da comissão.”
O treinador disse ainda que prefere não entregar a faixa a um goleiro porque considera importante que o capitão esteja próximo da arbitragem e possa se comunicar sem precisar abandonar sua posição.
Higo também citou Bernardo como um atleta cuja liderança vem sendo desenvolvida internamente, apesar de ter um perfil mais reservado.
“Enquanto estivermos respirando, vamos lutar”
Na parte final da entrevista, Higo adotou um discurso voltado à recuperação do grupo. O treinador reconheceu a frustração dos torcedores e dos jogadores, mas afirmou que sua própria postura deverá demonstrar a confiança na possibilidade de acesso.
“Eu vou fazer tudo o que for possível, e a maneira como vou encarar isso vai mostrar a minha confiança.”
Ao falar sobre a própria trajetória, o treinador relacionou o momento do Brusque à necessidade de resiliência.
“Se tem uma coisa que nós temos, e eu principalmente como representante dessa equipe, é resiliência. Cheguei até aqui e não foi nada fácil. Fui apanhando, fui sofrendo, mas sendo formado, sendo forjado.”
E encerrou reforçando que o Brusque continuará perseguindo o acesso enquanto houver possibilidade matemática.
“A vida te prova toda hora e você tem que ter resiliência para dar a volta por cima. Nós vamos lutar até o final. Enquanto a gente tiver a oportunidade, a gente vai lutar.”
Fonte: Portal da Cidade Brusque
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