PÓS-JOGO
Higo aponta ‘relaxamento natural’ e explica empate do Brusque com o Amazonas
Treinador admitiu queda de intensidade após o primeiro gol e revelou cobrança feita aos jogadores durante o intervalo
Publicado em 24/08/2026 às 08:28
O técnico Higo Magalhães avaliou que o Brusque perdeu intensidade depois de abrir o placar no empate em 1 a 1 com o Amazonas, no domingo (23), na Arena Simon, pela 18ª rodada da Série C. Apesar de considerar positiva a reação apresentada no segundo tempo, o treinador afirmou que a equipe se acomodou em parte da primeira etapa e deixou de apresentar algumas das características que a levaram à liderança da competição.
Ariel colocou o Quadricolor em vantagem aos 21 minutos, mas Adrien Graffin empatou seis minutos depois. Na segunda etapa, o Brusque teve a principal oportunidade para vencer em cobrança de pênalti desperdiçada por Marlyson.
Higo considerou que a equipe começou bem e construiu o primeiro gol em uma jogada trabalhada pelo lado direito, mas não conseguiu manter o mesmo ritmo depois de ficar em vantagem.
“A gente começou bem o primeiro tempo, conseguiu o gol. E aí há um relaxamento natural. Foi o que eu cobrei. Eu fui muito incisivo, até porque, no esporte em que nós trabalhamos, não se dá tempo e nunca pode baixar a guarda”, afirmou.
Segundo o treinador, a postura depois do gol fez o Brusque fugir das características apresentadas durante boa parte da Série C.
“Enquanto você não conquista o resultado no apito final, não se baixa a guarda. E, no primeiro tempo, na hora que nós fizemos o gol, começamos a negociar. Aí fugimos da nossa característica de ser um time totalmente incisivo, um time rápido, um time agressivo. Foi o que eu cobrei deles. A postura que eu estou acostumado a ver”, declarou.
O calor também foi citado pelo técnico como um dos fatores que contribuíram para a diminuição do ritmo. Higo avaliou que o Amazonas tentou reduzir a velocidade da partida e que o Brusque acabou entrando nesse cenário. No segundo tempo, entretanto, enxergou uma equipe novamente mais vertical, com circulação rápida da bola e maior presença no último terço.
“Talvez nós não tenhamos feito um jogo tão fluido, tecnicamente falando, aquele primor que também acontece. Mas nós tivemos a condição de tentar fazer o segundo gol”, avaliou.
Higo explica escolha de Marlyson para o pênalti
Uma das principais situações da partida ocorreu aos 14 minutos da segunda etapa. O árbitro marcou pênalti para o Brusque após a bola atingir Marcondes. Marlyson cobrou e João Lopes defendeu.
Questionado se a escolha do centroavante teria relação com a tentativa de fazê-lo marcar seu primeiro gol pelo clube, Higo explicou que não. Segundo o treinador, sua preferência é que o camisa 9, a referência ofensiva da equipe, seja o responsável pelas penalidades quando demonstra confiança nos treinamentos.
“Nas minhas equipes sempre foi o 9. O 9 sempre tem a preferência de pegar a bola e bater o pênalti. E eu determinei isso”, explicou.
Higo acrescentou que Marlyson possui histórico como cobrador e, por isso, não havia motivo para mudar a definição.
“Como ele é um excelente batedor, nas equipes por onde passou sempre bateu pênalti. Então não tinha condição nenhuma de eu trocar uma batida. [...] Ele mostrou confiança. Acontece dentro do jogo, tomou a decisão, o goleiro foi feliz e vamos seguindo”, completou.
Mudanças e cartões de olho na fase decisiva
Higo também explicou as alterações feitas na escalação em relação à vitória sobre a Inter de Limeira. Segundo ele, algumas escolhas serviram para dar ritmo e confiança a jogadores que podem ser necessários no quadrangular, além de fazer parte de uma estratégia envolvendo atletas pendurados.
Davi Gabriel, por exemplo, recebeu oportunidade enquanto Raimar começou no banco. O treinador ressaltou que os dois possuem características diferentes e lembrou da situação disciplinar dos laterais. A intenção era evitar chegar à última rodada com os dois jogadores de ofício ameaçados de suspensão para o início da próxima fase.
Com o Brusque já classificado, a situação dos cartões também será considerada para a escalação diante do Guarani. Higo reconheceu que utilizar atletas com dois amarelos pode representar um risco, já que uma nova advertência poderia tirá-los da primeira partida do quadrangular.
“Essa condição dos amarelos eu vou fazer uma avaliação. É um risco muito grande para alguns. Nogueira tem dois. É um risco muito grande. [...] A gente tem que fazer uma avaliação do que vale a pena”, afirmou.
Ariel ganha elogios
Titular pela primeira vez, Ariel aproveitou a oportunidade e marcou o gol do Brusque. Higo elogiou não apenas a participação direta no placar, mas o desempenho geral do meio-campista.
“O Ariel, para mim, fez um bom jogo. Uma ótima expectativa com ele. Não só pelo gol, mas a participação dele como um todo”, afirmou.
O desempenho também abre novas possibilidades para a formação do meio-campo. Higo indicou que uma combinação entre Ariel e JP Martins é uma alternativa que já vinha sendo considerada.
Ao falar das características de Ariel, o treinador destacou a capacidade de finalização, movimentação e associação.
“O Ariel tem chute, tem deslocamento, tem associação. É um cara vivo dentro do jogo, gosta de ser ativo, participativo o tempo inteiro”, disse.
Mercado sem loucuras
Com a aproximação do quadrangular, Higo também foi questionado sobre possíveis reforços. O treinador não descartou oportunidades, mas deixou claro que o Brusque não pretende fazer contratações apenas para aumentar o elenco.
“Não adianta trazer por trazer. Nós temos que condicionar o atleta a chegar e nos mostrar que ele realmente veio com o espírito de continuar a nossa caminhada de busca pelo acesso”, explicou.
Higo demonstrou satisfação com as peças incorporadas recentemente e descartou uma movimentação fora do planejamento financeiro estabelecido pelo clube.
“Não vai ter nada assim de extraordinário em termos de contratação de última hora. Nós trabalhamos com o pé no chão. O clube é dessa forma, trabalha sempre com o pé no chão. Não vai mudar nada do que foi planejado inicialmente”, afirmou.
Última rodada e foco no G4
O Brusque chegou aos 31 pontos e permaneceu na liderança da Série C. Com a classificação ao quadrangular já assegurada, o objetivo na última rodada será permanecer entre os quatro primeiros, o que permite decidir em casa na rodada final da segunda fase.
Higo, porém, relativizou a vantagem. Segundo ele, terminar no G4 não determina o que acontecerá no quadrangular, já que os oito classificados começam a nova etapa com zero ponto.
O último compromisso da primeira fase será contra o Guarani, no sábado (29), no Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas. O treinador afirmou que ainda avaliará a condição física do elenco, os jogadores pendurados e o cenário da rodada antes de definir a estratégia.
“Vai ser uma decisão lá. Até porque o adversário precisa vencer para conseguir o resultado. [...] Eu só vou ter essa resposta mais ou menos para terça à noite, quarta-feira, daquilo que nós vamos planejar como estratégia, por todo o contexto do nosso objetivo de tentar ficar entre os quatro primeiros”, explicou.
Apesar do empate em casa, Higo evitou lamentar os dois pontos deixados pelo caminho e ressaltou a campanha que mantém o Brusque no topo da Série C.
“Não tem que ficar lamentando, nós temos que continuar seguindo, até porque hoje somos líderes da competição. Então é muito trabalho, muito esforço, muita dedicação. E nós vamos fortes para essa última rodada”, finalizou.
Fonte: Portal da Cidade Brusque
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