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COPA DO BRASIL

Na véspera do confronto com o Brusque, Valdir Appel relembra passagem pelo Sport

Ex-goleiro brusquense passou pelo clube pernambucano no final dos anos 60

Publicado em 11/02/2020 às 07:06
Atualizado em

(Foto: Celio Bruns Jr/Portal da Cidade Brusque)

Brusque e Sport se enfrentam na próxima quarta-feira (10) pela primeira fase da Copa do Brasil. Mas a relação da cidade de Brusque com o Leão da Ilha do Retiro vai muito além desse jogo. Você sabia que um brusquense já defendeu as cores do clube pernambucano?

O ex-goleiro Valdir Appel teve uma trajetória de sucesso no futebol. Passou por clubes importantes como o Vasco da Gama, América de Natal, Atlético Goianiense, América (RJ), Volta Redonda, e claro, o Sport.

Chegada ao Sport

A passagem pelo rubro-negro ocorreu em 1969. Emprestado pelo Vasco, ele diz que veio para o clube de Recife “sem necessidade”. Segundo Appel, o Sport tinha na época o melhor goleiro de Pernambuco, Miltão. “Cheguei lá e o treinador me disse que não sabia o que eu tinha vindo fazer ali, já que ele tinha o melhor goleiro do estado e eu teria que esperar minha vez”, relembra.

Appel relata que embora soubesse que não jogaria muito na época, a proposta do Sport era irrecusável. Ele conta que os jogos mais marcantes com a camisa do clube foram dois amistosos contra o Ceará. A partida tinha como propósito promover a estréia de Appel com a camisa 1 do Leão, além do clube cearense que vinha de uma invencibilidade de 39 jogos conseguir atingir uma marca histórica. Em um jogo de poucas emoções, as equipes empataram em 1 a 1. Na ocasião, o brusquense atuou somente meio tempo.

Insatisfeitos com o empate, os dirigentes do Vozão marcaram um novo confronto, onde finalmente, Appel pode estrear de fato. “Acho que nunca fiz uma partida tão perfeita. O estádio Getúlio Vargas possui uma arquibancada colada no alambrado atrás do gol. Durante o jogo, atiraram garrafas, pedras e vários objetos. Ganhamos de 1 a 0 e quebramos uma invencibilidade de um ano”, recorda.


Valdir na época do Sport, em 1969. Foto: Arquivo pessoal

O ex-goleiro relembra que a boa atuação no Ceará o fez ganhar a posição no arco do Sport. “Joguei o primeiro jogo da final do Pernambucano, perdemos na Ilha por 2 a 0 para o Santa Cruz e na véspera da segunda partida, lesionei o dedo e tive que ficar por 24 horas tentando normalizar a situação. Não consegui e não tive condição de jogar o segundo jogo”.

Carinho pelo Nordeste

Após a decisão perdida pelo Sport, Appel voltou ao Vasco da Gama e seguiu a carreira. Ele recorda com carinho a passagem pelo Nordeste. “Se eu pudesse, eu estaria morando no Nordeste até hoje. A região para mim sempre representou muito, um povo maravilhoso”.



Valdir com um pequeno torcedor do Sport, em 2015. Foto: Arquivo pessoal

O clube pernambucano voltou à vida do brusquense em 2009, quando foi convidado para escrever a orelha do livro “O Clássico dos Clássicos”. Para redigir a parte que falava sobre o Sport, ele tirou do fundo do baú uma camisa da época que jogava pelo clube. Uma bela camisa preta, com o escudo e o nome do Sport destacados no peito. Ele digitalizou a camisa, que teve sua foto também publicada no livro junto ao texto. No dia seguinte, recebeu um e-mail do gerente de marketing do Leão solicitando mais fotos da peça, com a finalidade de produzir uma camisa retrô. Ele enviou a camisa para o clube, e posteriormente recebeu não só a peça original como uma nova, no modelo retrô.


Camisa utilizada por Valdir Appel no Sport Recife. Foto: Arquivo pessoal


Camisa retrô produzida pelo Sport e pela Liga Retrô. Foto: Liga Retrô

O ex dono da camisa 1 do Sport diz que costuma voltar às cidades dos clubes que jogou, onde revê amigos e velhos conhecidos. O Recife não é diferente. “Já estive por lá umas quatro ou cinco vezes. Até conheci o Kuki, atacante que passou pelo Brusque e trabalha no Náutico. Quando estou por lá reencontro amigos, ex-jogadores, pessoal da imprensa da época, tive uma passagem curta, mas criei um vínculo muito grande”, afirma.

Brusque x Sport

Sobre o confronto entre Brusque e Sport, Appel diz que não tem o hábito de ir ao estádio, mas que acompanha o Bruscão. “Fui no 5 a 4 com o Joinville e acho que se o Brusque quiser ganhar, eu terei que ir no jogo (risos). Historicamente, eu nunca vi o Brusque perder”, brinca.

Ele aproveita também para elogiar o time comandado por Jersinho. “Eu vejo o Brusque como um time muito leve, muito rápido, bem entrosado. Está jogando em casa ou fora do mesmo jeito, sem nenhuma preocupação com torcida adversária ou esquema do adversário”, avalia.

Escritor

Além da carreira exitosa como goleiro, Valdir Appel também possui quatro livros publicados. Em 2006, ele lançou “Na Boca do Gol”. Quatro anos depois, “O Goleiro Acorrentado”, em 2014 foi a vez do “Onde ele pisa nascem histórias”. O último trabalho ocorreu em 2018, quando em parceria com Ricardo Jose Engel lançou o livro do centenário do Paysandu, intitulado “Para Sempre O Mais Querido”.


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