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TOCO Y ME VOY

50 anos de “Let It Be”, o amargo ponto final na história dos Beatles

Último álbum lançado pela banda mais importante de todos os tempos foi gravado em meio de uma série de conflitos internos

Postado em 08/05/2020 às 11:15 |

A última canção gravada pelos Beatles para o Let It Be, último álbum da banda a ser lançado, em 1970, já denunciava o que estava acontecendo. I Me Mine é nada mais do que a visão de George Harrison sobre como as individualidades de cada um de seus integrantes destruíram a banda. O guitarrista compôs essa canção em meio as gravações de Get Back e expôs tudo o que vinha acontecendo. Paul havia tomado o comando e pretendia que os demais tocassem exatamente como ele exigia, John estava cada vez mais absorvido por sua nova relação sentimental e artística, George lutava para que suas músicas tivessem mais protagonismo e Ringo pensava em uma carreira de ator (acabou gravando o filme The Magic Christian pouco depois).

A relação já era tensa há um bom tempo. Nas gravações do Álbum Branco (1968), cada integrante trabalhava individualmente e quando estavam juntos o ambiente era tão tenso que Ringo abandonou a banda sentindo que estava tocando mal e que era ignorado pelos demais. Pouco depois, foi convencido a retornar e foi recebido de volta com sua bateria cheia de flores.



As diferenças entre os fab four ficavam cada vez mais explícitas. O conceito de Get Back que era como o projeto se chamaria inicialmente era de voltar as raízes e capturar canções “cruas”, sem sobregravações e instrumentos adicionais. Após anos de experimentos, o álbum teria um som “honesto”, como eles mesmos definiram. Outro objetivo de Get Back era gravar um documentário que após mostrar os ensaios, culminaria em um grande concerto no qual a banda mostraria ao público suas novas canções. Era a oportunidade perfeita para dar a volta por cima na indústria cinematográfica após o fracasso de Magical Mystery Tour (1967).

Os ensaios começaram nos estúdios de Twickenham, onde haviam sido filmados A Hard Day’s Night (1964) e Help! (1964). O espaço era frio e não reunia as condições necessárias para o processo criativo, o que incomodou os quatro desde o início. Acostumados a trabalhar no período da noite, não gostavam da ideia de apresentar-se no set durante o dia. As tensões que haviam entre eles, somada ao clima que estavam sujeitos, criaram um ambiente hostil e insuportável. John Lennon reclamaria anos depois. “Não se pode fazer música às 8 da manhã com pessoas te filmando o tempo todo”.



Não havia um roteiro, já que a ideia era filmar a rotina da banda. Não demorou para uma discussão entre Paul e George aparecer e ficar imortalizada no filme. “Estou tentando te ajudar, mas sempre noto que te irrito”, disse o baixista. “Não, você não está me incomodando. A verdade é que não me importa, tocarei o que você quiser e se você não quiser nada, não tocarei nada”, respondeu George com ironia.

Não era a primeira vez que Paul interferia em como George deveria tocar. Além disso, o guitarrista não conseguia emplacar suas músicas, que não eram bem aceitas pelo grupo.

Além das canções que integrariam o Let It Be, os Beatles escreveram outras músicas que terminaram no Abbey Road, lançado no ano anterior, como Maxwell’s Silver Hammer e Octopus Garden, e também algumas que posteriormente apareceriam em seus discos solos. No álbum, também foi regravada One After 909, faixa 10, que foi escrita por John e Paul em 1963. O Let It Be contou com o aporte de Billy Preston, tecladista da banda de Ray Charles e que os Beatles conheceram na Alemanha em 1962.

A ideia de terminar o documentário com um show ao vivo teve como possibilidades lugares extravagantes como o Deserto do Saara ou um cruzeiro em alto mar, mas a força coletiva do grupo naquele estágio só permitiu que eles subissem ao terraço de seus escritórios na Saville Row, em Londres. O recital durou 42 minutos, até ser interrompido pela polícia.

O Let It Be estava previsto para julho de 1969, mas foi adiado devido ao lançamento do Abbey Road no mesmo ano. Mas acabou sendo lançado somente em 1970, sendo o último disco dos Beatles lançado ao mercado. É um álbum que mesmo tendo sido produzido sob grandes conflitos, evidencia toda a genialidade da maior banda da história. Pouco tempo depois, os quatro iniciavam suas carreiras solo e encerravam de vez a banda, porém, apesar de terem feito grandes canções em suas novas fases, nunca mais conseguiram produzir algo tão bom quanto na época que estiveram juntos.

Let It Be é o final de um longo caminho que levou os Beatles a virarem a maior banda de todos os tempos. É ao mesmo tempo um símbolo de deterioração na relação entre os integrantes. Ainda hoje, deixam claro o porquê de serem os melhores, apesar de todos esses obstáculos.

Foi eleito pela revista Rolling Stone como o 86° melhor álbum de todos os tempos na lista de 500.

Faixas:

1 – Two of Us (Lennon/McCartney)

2 – Dig a Pony (Lennon/McCartney)

3 – Across The Universe (Lennon/McCartney)

4 – I Me Mine (Harrison)

5 – Dig It (Lennon/McCartney/Starkey/Harrison)

6 – Let It Be (Lennon/McCartney)

7- Maggie Mae (Trad. arr. Lennon—McCartney—Harrison—Starkey)

8 – I’ve Got a Felling (Lennon/McCartney)

9 – One After 909 (Lennon/McCartney)

10 – The Long and Winding Road (Lennon/McCartney)

11 – For Your Blue (Harrison)

12 – Get Back (Lennon/McCartney)


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