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Do alarmismo ao pó: os dados da covid-19 caíram no esquecimento

68 mil mortes contabilizadas no Brasil pelo coronavírus. Por que isso não choca mais?

Postado em 09/07/2020 às 15:06

(Foto: Portal da Cidade Brusque)

Quando a pandemia do coronavírus estava no início, foi um alarde total. A campanha #FiqueEmCasa foi realizada e a economia foi um dos principais alvos. Diversas pessoas foram demitidas de seus cargos no trabalho e a atividade econômica sofreu com o fechamento do comércio por meio dos decretos estaduais e municipais de isolamento social.

De início, com o primeiro caso de coronavírus no Brasil, o segundo… Terceiro… Quarto… Enfim, foi um desespero total, um susto que chocou toda a população. A ‘epidemia’ da covid-19 finalmente havia chegado ao Brasil, no dia 26 de fevereiro, em pleno tempo de samba, época de Carnaval, tradição em nosso País.

Porém, o que aconteceu de lá para cá? Hoje, no dia 9 de julho de 2020, o consórcio dos veículos de imprensa apontou aproximadamente 68.355 mil mortes pela doença no país. Os números viraram rotineiros, caíram no esquecimento, se transformaram em “pó”.

Vejamos, de início, Brusque foi uma das cidades de Santa Catarina que mais apresentou resistência no número de casos. Enquanto Blumenau, Itajaí, Joinville e Florianópolis já apresentavam um grande crescimento quando se trata na proliferação da doença, Brusque, até então, “segurava a barra”.

No dia 27 de março, o primeiro caso de coronavírus na cidade foi confirmado. O infectado era um médico. Todos comentaram o assunto, virou notícia de extrema importância para a imprensa local, muitos comentários, compartilhamentos, pessoas querendo levar a notícia em diante enquanto escrevia #FiqueEmCasa.

Outro momento de susto foi a confirmação da primeira morte pela doença em Brusque. A vítima foi uma paciente mulher de 82 anos. Bom, não teve a mesma repercussão que o primeiro caso. Porém, a informação foi muito acessada nos sites de notícia.

E agora? No dia 9 de julho, com 794 registros de coronavírus, 365 casos e cinco mortes em Brusque, com os hospitais lotados e diversas reclamações nos atendimentos. Onde está essa preocupação e medo que foi esquecido, não só pelo brusquense, mas, também, pelo brasileiro?

Os dados alarmistas simplesmente viraram “pó”. As medidas estão sendo esquecidas e ignoradas. Mas por que os casos de coronavírus viraram rotineiros? Pois mortes geram números, e números são esquecidos. E, neste caso, vidas também são esquecidas quando não se trata da minha ou da sua família.

Em Brumadinho morreram mais de 250 pessoas com o rompimento da barreira da empresa Vale. Quando o avião da Chapecoense caiu na Colômbia, 71 pessoas perderam suas vidas. No incêndio no Ninho do Urubu, 10 garotos das categorias de base do Flamengo não conseguiram escapar para evitar a morte. Na tragédia da boate Kiss, em Santa Maria (RS) no ano de 2013, 239 pessoas morreram.

Qual a diferença destas tragédias quando comparadas com as 68 mil mortes pela covid-19 registradas até agora? Nenhuma. Porém, quando as mortes são feitas em parcelas e não à vista, acaba caindo no esquecimento. E a única importância é quando morre algum conhecido nosso.

Quando o Brasil ainda não beirava 10 mil mortes, William Bonner fez um discurso parecido no Jornal Nacional, programa da Rede Globo, reforçando que os números se diluam e as pessoas perdem a noção do que são essas vidas perdidas. Vidas de pais e mães de família, vida de filhos, e vida de amigos de outras pessoas.

Porém, o desgaste em procurar se informar mais sobre estes dados é tamanho que, quando não se trata de alguém próximo, eu não preciso me importar. Dessa forma, as vidas perdidas de aproximadamente 68 mil pessoas que foram enterradas por entes queridos, caem no esquecimento, viram apenas simples estatísticas.

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