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Em meio à pandemia, Câmara de Brusque entra em recesso parlamentar

Afastamento será realizado em cumprimento ao Regimento Interno da “casa do povo”

Postado em 17/07/2020 às 10:22 |

(Foto: Portal da Cidade Brusque)

Mesmo em meio à pandemia do coronavírus, onde, até então, 1303 pessoas infectadas e 10 óbitos já foram contabilizados em Brusque, a Câmara Municipal seguirá o que determina o Regimento Interno da casa e, preste atenção: entrará em recesso parlamentar. 

O Brasil não é composto por uma população que segue tudo ao rigor da lei. Isso vale, também, para a política, que apenas emite o reflexo dos anos de corrupção que o País já atravessou e ainda atravessa em todas as esferas dos poderes seja lá qual for a grandeza.

A lei só vale quando for de interesse próprio. Poderia citar diversas ocasiões onde a Constituição Federal foi “rasgada” ou, até mesmo, quando o Regimento Interno da Câmara Municipal de Brusque foi “rasgado”. Porém, as atitudes antirregimentais só interessam aos políticos quando os convém.

Agora, a realização do recesso parlamentar enquanto um País passa por um momento excepcional que precisa ao máximo do auxílio do poder público, é tranquilo. Até mesmo se a excepcionalidade for uma uma pandemia que já matou mais 75 mil pessoas. Claro, sejamos honestos, muitos desses números foram motivados pelo descuido, falta de informação ou por contágios que até hoje muita gente desconhece de onde veio.

Porém, eu pulo de parágrafo para falar deste motivo em especial: a negligência. A incapacidade de governar de determinados políticos que ditam os rumos da nossa sociedade também motivaram a perda de entes queridos por parte de seus familiares.

Isso é algo maior, eu seria injusto ao falar que isso acontece em uma cidade que, de certa forma, possui “bons” dados quando comparadas com outros municípios vizinhos quando falamos de covid-19. Mas o que realmente me faz questionar é o fato que parlamentares brusquenses estão entrando em recesso em meio à uma situação excepcional que o mundo vive, onde pessoas estão falecendo de forma incontrolável. E destes questionamentos a única coisa que consigo concluir daquilo que é inconclusivo é: o Brasil não é para amadores.

Nunca imaginei que usaria o Congresso Federal como exemplo, muito menos a Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc), mas os deputados estaduais e federais optaram pela não realização do recesso. Isso não merece aplausos, pois é o mínimo que podem fazer.

Com todo respeito ao trabalho dos vereadores, não escrevo aqui neste espaço para me dirigir a ataques de cunho pessoal ou político, apenas trazer os fatos com a minha opinião, mas a Câmara de Brusque está realizando as sessões via WhatsApp e fará o recesso parlamentar de julho.

Os vereadores, aqueles que recebem 10 mil reais como salário mensal, que estão realizando as reuniões ordinárias no conforto de suas casas, entrarão em recesso. Acredite!

Só um exemplo: diferente dos parlamentares, no outro lado da cidade, lá nos fundos das diversas BA’s (ruas no bairro Bateas sem nome oficial), moram aqueles que não tem o mínimo de condição para ter uma saúde de qualidade, que precisam trabalhar para sustentar suas famílias.

Ah, mas se uma pessoa dessa pega covid-19? Se ela pegar covid-19 ela liga para o Portal da Cidade denunciando que ficou sete horas em uma fila de hospital esperando por atendimento. Ah, mas aí o que o Portal da Cidade faz? Escreve uma matéria mostrando a situação ocorrida. Igual àquela que foi publicada na semana passada: Descaso? Brusquenses relatam transtornos em atendimentos acerca da covid-19.

Mas se bem que até eu me questiono a eficácia destas notícias que revelam supostos descasos. De que adianta gastar tempo produzindo um texto extenso e trabalhoso, denunciando graves situações, se as coisas não mudam? Enquanto os nossos representantes falam “se vira”, ao invés de falar “tamo junto”, repito, de que adianta?

Não estou dizendo para que os políticos contrariem algo regimental, mas ao menos que parem de utilizá-lo apenas quando for de seu agrado. A Câmara de Brusque possui diversos vereadores bem intencionados, que lutam por um rumo melhor para a cidade. Mas o fato é: estamos passando por uma pandemia, onde pessoas morrem e políticos entram de férias.

O tradicional ditado popular, em que diz que o “Brasil é o País do samba” é tão levado ao pé da letra que a própria política samba na cara da sociedade. Enquanto pessoas ainda esperarem sete horas em filas de hospitais, nunca será o momento certo de recesso para aqueles que podem mudar isso.

Fonte: Mato Grosso Mais


Fonte: Jornal da Fronteira


Fonte: Câmara dos Deputados

Fonte:

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