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Olhar Jovem

O preço foi alto! Conta tudo, “Judas”

A coluna Olhar Jovem desta segunda-feira (4), escrita por Thiago Facchini, fala sobre o depoimento do ex-juiz Sergio Moro sobre o presidente da República

Postado em 04/05/2020 às 15:13 |

(Foto: Portal da Cidade Brusque)

Quem diria que o maior adversário de Jair Bolsonaro seria o juiz que colocou seu maior rival da política na cadeia?

Seria difícil de acreditar se alguém me falasse uma semana antes de Sergio Moro pedir demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública que hoje ele viraria a maior pedra no sapato do presidente da República.

No sábado (2), Sergio Moro fez cosplay de Lula. O ex-juiz sentou na mesma cadeira que o ex-presidiário sentava para prestar depoimento à Polícia Federal (PF). Seu discurso durou cerca de nove horas.

Agora, imagina se Bolsonaro ficasse quieto e não tivesse trocado o cargo de diretor-geral da PF? Provavelmente Moro não estaria delatando o presidente, mostrando as inúmeras capturas de tela, os inúmeros áudios e emails que ele afirma ter como prova da conduta antiética e corrupta de Jair Bolsonaro.

É, o preço da troca da diretoria da Polícia Federal custou muito caro e, agora, só resta ao “Judas”, apelido este carinhosamente dado pelos fanáticos do presidente, contar tudo o que sabe.


Sergio Moro e Jair Bolsonaro juntos. Foto: Reprodução

É triste essa soberba e arrogância por parte de Bolsonaro em querer se meter nos rumos da Polícia Federal e colocar seu amigo, Alexandre Ramagem, como diretor do órgão, decisão esta que, inclusive, foi barrada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Porém, mais triste que isso é não saber o futuro do Brasil em meio a crise na saúde, na economia e, agora, na política. 

Caso a Justiça confirme tudo o que Moro delatou contra Jair Bolsonaro, é muito mais fácil que o presidente renuncie logo do que dar o trabalho de abrir um processo de impeachment que pode demorar muito tempo.

No Brasil, Collor e Dilma foram impichados. Ou seja, já passamos por isso duas vezes. Sr. presidente, se acontecer novamente, você pode pedir música no Fantástico!

Mas, ainda mais triste que isso - sim, tem como piorar - são aquelas pessoas que estão "fechadas com Bolsonaro", mesmo tendo todos os argumentos e evidências para mostrar que o presidente não é um santo.

Estas pessoas são as mesmas que fizeram com que o MBL virasse traidor, que o Papa Francisco virasse comunista, que o Moro virasse Judas e, também, são aquelas que jogam toda culpa no Rodrigo Maia (DEM), este que, inclusive, foi apoiado pelo ex-partido de Bolsonaro para presidência da Câmara dos Deputados. Não que Maia seja um santo… Aliás, longe disso.

Lembrando que Marcel van Hattem (NOVO-RS), um dos maiores apoiadores do presidente no congresso, estava concorrendo ao mesmo cargo. Detalhe: van Hattem contou com o voto de Kim Kataguiri (DEM), aquele japa do MBL taxado como “amigo do Rodrigo Maia”.


Kim Kataguiri e Marcel van Hattem juntos. Foto: Reprodução

Pois é, quem colocou o Maia como presidente da Câmara foi o próprio partido do presidente. Ou seja: quem traiu o Brasil não teria sido Bolsonaro?

A conduta de um político, juiz, ministro ou qualquer servidor público deve ser ética, não importa o empecilho que possa vir a acontecer.

Se Moro delatou a verdade, ainda não sabemos, mas demonstrou coragem para bater de frente com o chefe máximo do Executivo caso tenha feito algo de errado.

Porém… Se ele tinha provas antes, não deveria ter levado ao STF? Sim. Mas antes tarde do que nunca.

Agora vamos aguardar os próximos capítulos. O bem sempre vence o mal e a verdade prevalecerá! A Justiça tarda mas não falha.

“Verdade acima de tudo, fazer a coisa certa acima de todos”. - Sergio Moro (ou Judas).


Sergio Moro com as mãos para cima. Foto: Reprodução

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