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opinião

Olhar Jovem: análise do debate entre os candidatos a prefeito de Brusque

Entre ataques e apresentações de propostas, prefeituráveis realizaram o primeiro encontro frente a frente

Postado em 09/11/2020 às 23:35 |

(Foto: Portal da Cidade Brusque)

Os candidatos a prefeito de Brusque participaram do debate do portal Olhar do Vale na noite desta segunda-feira (9). O atual vice-prefeito Ari Vequi (MDB), que agora disputa o cargo máximo da Prefeitura, testou positivo para coronavírus e não compareceu no colóquio. Com cinco candidatos trocando ideias para governar Brusque, foi possível reparar algumas características individuais, analisadas pela coluna Olhar Jovem.

O início do encontro foi com os prefeituráveis falando suas propostas, mas sem deixar de aproveitar para provocar os adversários. Foi seguindo esta linha que o candidato Professor Guilherme (Patriota) talvez tenha “atirado no próprio pé” quando dialogou com Ciro Roza (Podemos). Após citar o candidato do Podemos de forma negativa durante o discurso, Guilherme foi criticado pelo ex-prefeito, que o acusou de ter mantido conversas para ser vice de Ciro antes do período eleitoral. Guilherme, porém, não respondeu a acusação de forma direta.

E já que Guilherme não respondeu, Coronel Gomes (PL) não perdeu oportunidade. Quando criticado também por Ciro Roza, que disse: "Não precisamos de coronel para ‘dirigir’ uma cidade", Gomes se sentiu ofendido e não hesitou em respondê-lo de maneira combativa. "Durante 33 anos [como policial militar], protegi muitas pessoas, inclusive o senhor (Ciro Roza)", disse o candidato do PL. Neste momento, Gomes valorizou também o discurso meritocrático - típico de um liberal -, comentando que lutou muito para chegar onde chegou, até possuir o título de coronel e de comandante da Polícia Militar.

Porém, apesar de ser o candidato “mais liberal” entre os que estavam no debate, ele se mostrou contra a privatização do serviço de água (Samae). A fala foi interessante, apesar de levemente fugir da proposta principal da campanha de Gomes. Porém, a ideia é completamente coerente se comparar a autarquia Samae com o serviço terceirizado de abastecimento de água de municípios vizinhos à Brusque, que utilizaram este projeto e acabaram se dando mal. Mas, sem dúvidas, para um iniciante na política, Gomes se saiu bem na discussão. Ele citou muito a questão do combate à corrupção e que não utiliza dinheiro público em campanha, fatores popularmente positivos. Porém, uma coisa é fato: a candidatura de Coronel Gomes não cresce nas pesquisas eleitorais.

Agora, quando se trata de postura no debate, Paulo Eccel (PT) deslanchou. Foi possível observar três “paulos” diferentes. O primeiro era completamente tímido, focado em propostas. Aos poucos, o discurso do petista começou a mudar conforme o andamento das conversas, sendo mais combativo, citando erros dos candidatos e respondendo com propostas de mudança. Até que chegou no terceiro nível de partir para cima e entrar em uma empolgação frenética - talvez, desproporcional. O ataque à Ari Vequi e Ciro Roza era evidente, até porque são os maiores adversários de Eccel na disputa ao pleito. Mas, é claro, ele não deixaria também de “tirar uma casquinha” com Paulinho Sestrem (Republicanos), que foi secretário de Trânsito quando Paulo era prefeito, e hoje é seu concorrente. Porém, apesar de apresentar posturas diferentes, uma coisa Paulo Eccel não mudou, que é o fato de criticar, mas, também, apresentar propostas.

O coletivismo também esteve presente no discurso do petista. Citou até mesmo seu ferrenho adversário ideológico Luciano Hang, dono da Havan e amigo do presidente Jair Bolsonaro - que Paulo não possui afinidade alguma. Com um discurso unificador, ele fez valer a fala que “o prefeito governa para todos”. "Uma das minhas primeiras ações após a minha eleição, vai ser bater na porta da Havan e conversar com o empresário Luciano Hang. A fim de que a gente possa estabelecer uma parceria para que possamos construir creches para milhares na nossa cidade", disse Eccel, após ser questionado por Coronel Gomes referente às creches.

É impossível não dar holofotes para Paulinho Sestrem. Sem dúvidas, foi o prefeiturável que melhor se saiu no debate entre os candidatos. A expectativa era que o republicano estivesse a todo tempo criticando os “grandes” desta eleição. Porém, focou em propostas. Sestrem aproveitou apenas o final do debate para fazer suas críticas, mirando em Ari Vequi. Na oportunidade, ele citou a abertura de inquérito para investigar suposta “furação de fila” no SUS de Brusque por pessoas próximas ao governo municipal. 

Quando se trata de propostas - e isso foi possível observar de uma maneira geral -, é a valorização do andamento do projeto do anel viário, citado por quase todos os candidatos e muito defendido pelo republicano. Apesar de Paulinho Sestrem se sair muito bem no debate, as pesquisas mostram o contrário. A baixa rejeição do vereador é evidente, mas a baixa afinidade por ele, também. Como já se saiu bem no debate, ele deve aproveitar a vantagem em seu discurso para tentar ganhar pontos com a população se realmente quiser vencer. Caso contrário, seguirá em baixa na eleição.

Já Ciro Roza, foi o grande alvo. Gostando ou não, a inteligência do candidato do Podemos por conta da abrangente experiência que possui na administração pública garantiu uma grande vantagem. Porém, parecia que ele tinha voltado para os tempos passados, quando foi prefeito. É possível fazer um comparativo entre Roza e Eccel, dois nomes que já comandaram o Executivo brusquense. Paulo Eccel focou em um discurso citando seu governo antigo, mas readaptou com propostas para o presente. Ciro Roza fez o mesmo, mas não especificou as propostas. O que não é de surpreender quando até mesmo o jingle da campanha diz: “Não tem que prometer que faz, quem pode mostrar o que fez”. Bom, e quem não viu/lembra o que ele afirma ter feito, quem perde é o eleitor indeciso. Ciro Roza não perde nada, pois já possui um teto de eleitores fiéis que estão com ele, faça sol ou faça chuva.

A incógnita Professor Guilherme ainda existe. Ele possui as propostas mais interessantes para estudar. Porém, acabou desperdiçando quando focou mais em um discurso de ataque aos demais candidatos e elogios ao presidente da República. É claro, ele apresentou as propostas, mas hora ou outra fazia uma fala apontando para o Governo Federal. Fala esta que talvez já esteja falida em Brusque. Hoje em dia o bolsonarismo utilizado para fins de campanha eleitoral não está dando certo nem nas maiores cidades do Brasil.

Posso estar errado. Bom, mas se é realmente deste discurso que o brusquense gosta, Guilherme seguirá subindo nas pesquisas, mas fica claro que este número de eleitores também possui um teto, que são parte dos eleitores fiéis do Bolsonaro em Brusque. Convenhamos, nem Paulo Eccel, único candidato representante da esquerda, cita o próprio partido. Talvez porque ele sabe da rejeição do PT em Brusque? Talvez. Mas quem fala apenas de outro político e não foca no discurso próprio não consegue mais ir para frente, pois a política de 2018, que elegeu Carlos Moisés no Governo do Estado, não é a mesma de 2020. Dia 15 de novembro tudo vai se resolver, vamos tirar a dúvida de quem realmente é Professor Guilherme nesta eleição. Ele pode ser aquele que vai surpreender e chegar muito próximo da briga com os considerados grandes da política, ou o discurso não vai levar à lugar algum. Professor Guilherme segue sendo uma incógnita, e que pode surpreender.

Ari Vequi, com covid-19, não pôde participar deste debate e é muito provável que não poderá participar dos próximos, a não ser que seja de forma remota. Sem dúvidas, se estivesse ali, seria o maior alvo dos candidatos, principalmente de Ciro Roza e Paulinho Sestrem. Mas o vice-prefeito ainda está muito bem nesta disputa, desfrutando da primeira colocação em todas as pesquisas eleitorais oficiais registradas. Em Brusque, é evidente que existem três candidatos disputando a Série A da eleição e outros três disputando a Série B. Paulinho cai nas pesquisas, Guilherme sobe, Eccel surpreende, Ari lidera, Ciro briga pela ponta e Coronel Gomes na lanterna. É importante lembrar que a eleição em Brusque é uma caixa de surpresas e é completamente possível que alguém que está em baixa acabe surpreendendo. Pesquisa pode dizer muito, mas também pode não dizer nada.

As opiniões contidas neste artigo não representam, necessariamente, a opinião do Portal da Cidade Brusque.

por: Thiago Facchini

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