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Olhar Jovem

Sergio Moro: o mais novo comunista do Brasil

Nesta segunda-feira (27), a coluna Olhar Jovem, escrita pelo jornalista Thiago Facchini, comenta sobre a demissão do ex-ministro da Justiça

Postado em 27/04/2020 às 16:10 |

(Foto: Portal da Cidade Brusque)

Na última sexta-feira (24), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, pediu demissão da função que ocupava, por discordar do posicionamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O mandatário, horas antes, decidira pela exoneração do ex-diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Leite Valeixo. 

O juiz Sergio Moro ficou conhecido por protagonizar a maior operação de combate a corrupção do país - a Lava-Jato -, que colocou diversos políticos e empresários corruptos na cadeia. Dentre eles, o ex-presidente Lula (PT). Nascido em Maringá (PR), no ano de 1972, Sergio Moro se formou em direito pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), e é especialista em crimes financeiros, se tornando juiz federal em 1996. 


Sergio Moro de frente. Foto: Reprodução

Em seu pronunciamento de demissão, Moro acusou o presidente da República de querer se envolver nos rumos da Polícia Federal e, motivo pelo qual teria exigido a troca do cargo máximo da PF.

Jair Bolsonaro se manifestou sobre a situação ainda no fim da tarde da última sexta-feira (24), mostrando-se descontente com a atitude do ex-ministro. Segundo o presidente, a coletiva de imprensa seria realizada para "restabelecer a verdade", que de verdade aparenta não ter nada.

Na noite daquela famigerada sexta-feira movimentada no país, o Jornal Nacional, um dos principais programas jornalísticos da TV Globo, exibiu, com exclusividade, uma suposta mensagem via WhatsApp que Bolsonaro teria enviado a Sergio Moro, falando que Maurício Leite Valeixo precisaria ser exonerado por conta que a PF estaria investigando doze deputados bolsonaristas.


Foto: Jornal Nacional/TV Globo

Bolsonaro, sua casa caiu!

O presidente enganou a população na época de campanha, enquanto prometia lutar contra o establishment, e fez justamente ao contrário.

Sergio Moro botou sua carreira e sua isenção como juiz em risco quando assumiu o cargo no governo de Jair Bolsonaro. Porém, uma coisa é certa: saiu mostrando a verdadeira face do presidente da República.


Bolsonaro e Moro juntos. Foto: Reprodução

Convenhamos: as evidências que confirmam que Bolsonaro não é nenhum santo foram postas à mesa. Os mesmos que hoje o defendem não possuem diferença alguma daqueles que defendem Lula, sem ao menos questionar se ele estava certo ou errado.

O bolsonarismo e o petismo exacerbado sempre caminharam juntos e nunca foram a favor do Brasil. Sergio Moro contrariou os dois lados e seguiu o rumo correto. Moro sempre foi uma pessoa misteriosa. Ainda não temos como saber se ele está sendo 100% verdadeiro, mas o que ele mostrou já basta para acabar de vez com a falácia de que "podem chamar Bolsonaro de tudo, menos de corrupto".

Sim, agora podemos suspeitar de que Bolsonaro seja mais um político que age à margem da lei. Corrupto.

O ex-ministro entra agora para a “lista de comunistas e traidores do Brasil”, assim como João Amoedo, Kim Kataguiri, Luiz Henrique Mandetta, Nando Moura, Janaina Paschoal, Arthur do Val e diversos outros que notaram com antecedência a verdadeira face do presidente da República.


Deputados do Novo e do MBL com Bolsonaro. Foto: Reprodução

O verdadeiro traidor dessa história é o próprio presidente, que conseguiu brigar com os próprios apoiadores de campanha, com o seu partido e ministros.

Hoje, o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Partido Novo, que foram fortes apoiadores a agenda econômica e aos princípios que Jair Bolsonaro apresentou em campanha, são taxados como "amigos do Rodrigo Maia".

Mas sempre vale lembrar que o Partido Social Liberal (PSL), ex-partido do presidente, apoiou Maia para presidência da Câmara. Além do mais, o senador Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, votou em Davi Alcolumbre para presidente do Senado.

Bolsonaro está colhendo o que plantou. Enganou o país e engana a si mesmo.


Alcolumbre, Bolsonaro e Maia juntos. Foto: Reprodução


PSL apoiou Rodrigo Maia. Foto: Jornal O Globo

O Brasil precisa de um povo unido em uma causa positiva para todos. O fanatismo e a polarização nunca será o melhor. Critique quando há um erro e elogie quando há um acerto. O povo precisa ser soberano. Não se pode passar a mão na cabeça de político quando ele vai contra o bem da população. Mesmo duvidando de sua veracidade, Sergio Moro entrou grande no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e saiu gigante.


Bolsonaristas apoiando Moro em manifestação. Foto: Reprodução


Bolsonaristas rasgando camisa de Moro em manifestação. Foto: Reprodução

Seria cômico se não fosse trágico, mas o novo diretor-geral da Polícia Federal é Alexandre Ramagem, que exercia a função de diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e é amigo próximo da família Bolsonaro.


Carlos Bolsonaro com Ramagem. Foto: Reprodução

Tire suas próprias conclusões. 

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