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Em Brusque

Cai 28% os registros de violência contra a mulher no primeiro semestre de 2019

Conforme aponta a Dpcami, o acesso à informação é um dos fatores determinantes

Postado em 11/07/2019 às 11:45 |

(Foto: Camila Freitag/Portal da Cidade Brusque)

Uma mulher foi vítima de violência doméstica no bairro Águas Claras de Brusque, no dia 29 de junho de 2019. Um homem foi autuado em flagrante pela Polícia Militar após agredir a mulher no bairro Santa Terezinha, no dia 25 de junho de 2019. Outro homem foi detido por violência doméstica contra a ex-mulher e por danificar a porta do imóvel da casa dela, no bairro Cedro Alto. O fato aconteceu no dia 5 de junho de 2019.

Já no dia 1º de junho de 2019, a Polícia Militar de Brusque atendeu três casos de violência doméstica. Em um deles, uma mulher foi agredida pelo companheiro no bairro São Pedro. No segundo caso, a vítima ficou com o olho roxo após levar um tapa do companheiro que recebeu voz de prisão. Na terceira ocorrência, a vítima sofreu um corte na cabeça após ser empurrada contra a parede e precisou de atendimento médico.

Nos Boletins de Ocorrências (B.O) registrados na Polícia Civil, os relatos de violência contra a mulher são frequentes. Somente neste primeiro semestre de 2019, a Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcami) registrou um total de 162 casos. É como se a cada 10 dias, ocorressem 09 casos de violência contra a mulher em Brusque.

Apesar de expressivo, quando comparado ao mesmo período de seis meses em 2018, o número apresentou uma queda de pouco mais de 28%. No primeiro semestre do ano anterior foram registrados um total de 223 casos.

A delegada da Dpcami de Brusque, Flávia Gonçalves Cordeiro, atribui a diminuição, principalmente, ao acesso à informação. “Hoje as mulheres procuram os órgãos de segurança pública, até mesmo antes da agressão acontecer. Elas têm uma coragem maior e entendem que precisam quebrar o ciclo da violência”.

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Perfil

Conforme a Dpcami, o perfil das mulheres que procuram a delegacia é variável, no entanto, a dependência financeira é um fator determinante, além da baixa escolaridade. A faixa etária é variável.

Números

Em números a queda de registros está expressa em todos os tipos de situações, tanto no âmbito da violência doméstica, quanto fora dela nas ocorrências envolvendo homem e mulher.

Tipos de violência contra a mulher

Conforme o Instituto Maria da Penha, a violência contra a mulher, pode ser tipificado a partir de cinco diferentes formas de violação, no âmbito da violência doméstica e familiar e que são previstas na Lei Maria da Penha.

1. Violência física: É aquela que ofende qualquer a integridade física e moral da vítima.

2. Violência psicológica: causa dano emocional e diminuição da autoestima, além de representar controle e/ou domínio sobre as decisões da vítima.

3. Violência Sexual: Obriga a vítima a manter ou a participar de relação sexual não desejada mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força.

4. Violência Patrimonial: Este tipo de violência é configurado por qualquer conduta que vise a retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades. 

5. Violência Moral: É considerada qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria 

Redes de apoio  

Quando a mulher em situação de violência procura a delegacia de Brusque, ela também recebe apoio e acompanhamento psicológico, sendo encaminhada para atendimento junto ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) ou através do projeto de acompanhamento psicológico desenvolvido pelo núcleo de psicologia do Centro Universitário de Brusque (Unifebe).

O empoderamento da mulher em todos os âmbitos tem feito com que as mulheres consigam identificar um relacionamento abusivo ou até mesmo comportamentos que expressem domínio e a partir daí criem coragem para enfrentar os fatos. “Hoje nós temos uma rede maior de proteção à mulher e, algumas, inclusive, já procuram diretamente essas redes de apoio”, é o que explica a delegada Flávia. “Algumas preferem não registrar B.O, mas procuram ajuda pois enfrentam problemas no relacionamento conjugal”.

Na Dpcami, essas mulheres são acompanhadas por uma estagiária que faz a coleta de informações e o encaminhamento para as redes de apoio.

Acompanhamento psicológico

A Unifebe, por meio da Clínica Escola de Psicologia, presta atendimento à toda a comunidade, inclusive às mulheres vítimas de violência, de forma gratuita e voluntária. O trabalho é desenvolvido pelos acadêmicos do curso de psicologia com acompanhamento dos professores orientadores.

Ao procurar ou ser encaminhada à clínica, a mulher recebe atendimento psicoterapêutico sequencial, com encontros semanais. “Nós analisamos todo o sistema em que a pessoa está inserida a fim de entender o que promove essa forma de violência e como ela pode ser prevenida”, explica o coordenador dos cursos de psicologia da Unifebe, Ademir Bernardino da Silva.

Contexto social

Conforme avalia Ademir, a maior parte das mulheres atendidas, já possuem um histórico familiar que envolve situações de violência e outras formas de abuso, presenciados no âmbito familiar. De acordo com ele, muitas mulheres têm dificuldade em sair de uma relação abusiva, por entender que esta situação é normal, tendo em vista o histórico familiar da vítima.

Este histórico é composto pela presença da vítima em situações de conflito entre pai e mãe, por exemplo, além de vivencias em relações de abusos no sentido psicológico e até mesmo físico, construindo na mulher uma referência de submissão. “Trabalhando essas questões, a gente percebe que há uma frequência. A escolha do parceiro acaba sendo feita com base nesse histórico e a busca é por alguém que dê continuidade ao mesmo contexto”, explica Ademir complementando que “É preciso ter muito cuidado ao escolher um parceiro, pois a ideia é que seja por amor, mas na verdade acaba sendo por conveniência”.

Para mudar essa realidade, o trabalho é desenvolvido com cuidado e descrição, a fim de resgatar a autoestima da vítima e, quando possível, até mesmo, envolver o companheiro.

Disque denúncia

Apesar de todo o trabalho já desenvolvido, tanto pela delegacia, quanto pelas redes de apoio, e, mesmo com a diminuição nos números de registros, ainda há muito a ser feito. Mulheres que vivem em situação de violência doméstica, nem sempre possuem condições de ir à delegacia, por isso toda a sociedade precisa estar atenta, é o que alerta a delegada Flávia. “A vítima nem sempre tem condições de denunciar, mas existe o disque denúncia e terceiros podem utilizar essa ferramenta para passar esse tipo de informação”, finaliza.


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