ELEIÇÕES
Pesquisa eleitoral que circula no WhatsApp é falsa e apresenta incoerências
Levantamento não possui registro eleitoral e informações são insuficientes; empresa nega que tenha realizado a pesquisa na cidade
Publicado em
24/08/2023 às 17:07
Atualizado em
À medida que as eleições suplementares de Brusque se aproximam, relatos de pesquisas eleitorais irregulares e falsas vêm se espalhando pelas redes sociais. A disseminação dessas informações tem ocorrido principalmente em grupos de WhatsApp.
Uma das pesquisas, que está circulando nas redes, apresenta informações superficiais e insuficientes sobre sua metodologia e está sendo associada à empresa CNT e ao MDA. Contudo, o MDA, instituto mineiro da área de pesquisas, negou estar conduzindo qualquer tipo de pesquisa eleitoral em Brusque.
A suposta pesquisa compartilhada não possui registro eleitoral e, além disso, informações sobre a metodologia utilizada na coleta e análise dos dados também estão em falta, comprometendo a transparência e a confiabilidade do estudo.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o registro da pesquisa na Justiça Eleitoral deverá conter as seguintes informações: quem contratou a pesquisa e quem pagou, com os respectivos números no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); valor e origem dos recursos, metodologia usada e período de realização do levantamento.
Outros dados necessários são o plano amostral e ponderação quanto a gênero, idade, grau de instrução, nível econômico do entrevistado, assim como o questionário completo aplicado ou a ser aplicado, e nome do estatístico responsável pela pesquisa. Entretanto, os únicos dados apresentados no levantamento foram referentes a data e metodologia.
A pesquisa em questão alega que a amostra consiste em 755 entrevistas válidas, com margem de erro de ±4,94 pontos percentuais para mais ou para menos. O Intervalo de Confiança de 95% é considerado, levando em conta uma população de 96.215 eleitores.
Não foi possível comprovar a relação da pesquisa irregular com nenhuma das candidaturas ao cargo de prefeito, inclusive a que lidera as preferências com uma vantagem importante sobre o segundo colocado. Apesar de algumas contestações de chapas contrárias, de que o nome de uma pessoa ligada a campanha esteja presente nos metadados do arquivo compartilhado nos grupos, isso não é suficiente para comprovar a autoria.
Metadados
Os metadados de arquivos digitais, como documentos e imagens, são informações que fornecem detalhes sobre a criação, modificação e outras características do arquivo. No entanto, esses metadados podem ser alterados ou manipulados para diversas finalidades, e existem inclusive ferramentas disponíveis online que permitem a modificação desses dados.
No entanto, ao transferir ou salvar um arquivo em outro programa, esses metadados podem ser reformatados ou recalculados de acordo com os padrões do novo programa, resultando em modificações. Salvar um arquivo para armazenamento interno em um programa diferente pode, por exemplo, resultar em alterações nos metadados. "Esse processo, muitas vezes, pode ocorrer de forma involuntária e sem que haja qualquer intenção maliciosa. Se cria um arquivo novo, assim salva o nome do computador no arquivo. Depois disso, só atualizando com programas", afirma Thalles Aguiar, profissional da área consultado pela reportagem.
Pesquisas foram impugnadas
Quatro pesquisas eleitorais foram registradas no sistema PesqEle, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), até a última quarta-feira (23). Três dos quatro candidatos à prefeitura de Brusque solicitaram à Justiça Eleitoral que essas pesquisas não fossem divulgadas: André Vechi (DC), William Molina (MDB) e Alessandro Simas (PP).
Uma das pesquisas se tornou o principal foco das ações. Segundo a alegação, o registro efetivo do levantamento teria ocorrido em 18 de agosto, diferentemente da data indicada no sistema como 15 de agosto.
Originalmente, a pesquisa poderia ter tido seus resultados divulgados em 21 de agosto. No entanto, devido à alteração na data de registro, a divulgação foi suspensa até 24 de agosto. As coligações de Simas e Molina solicitaram a impugnação alegando inconsistências nos resultados. O pedido foi analisado pela Justiça Eleitoral, que deferiu a solicitação.
Além disso, outra pesquisa, registrada em 18 de agosto, também foi barrada. A Justiça Eleitoral, após receber o pedido da coligação de André Vechi, concedeu uma liminar que impugnou a pesquisa em 21 de agosto. Mais uma vez, alegações de inconsistências foram apontadas como razão para a impugnação.
Fonte: Portal da Cidade Brusque
Notícias relacionadas
Vereadora defende retorno da ciclofaixa da avenida Primeiro de Maio
10/06/2026 às 15:26
Após decisão federal, senador brusquense tenta reverter restrições à pesca da tainha
08/06/2026 às 14:36
Secretário rebate críticas e explica gastos com publicidade em Brusque
03/06/2026 às 09:05
CPI da coleta de lixo em Brusque avança na análise de documentos e contratos
29/05/2026 às 09:05
Câmara de Brusque entrega homenagens a personalidades e empresas nesta quinta
28/05/2026 às 14:21
Mudanças na gestão do saneamento são aprovadas pela Câmara de Brusque
27/05/2026 às 15:53