FALSA IDENTIDADE
Mulher que fingiu ter 12 anos e viveu como filha de casal é condenada em Joinville
Amanda Maria Souza de Oliveira viveu cerca de 14 meses com uma família que acreditava estar acolhendo uma adolescente em situação de vulnerabilidade
Publicado em 21/08/2026 às 16:28
Uma mulher que se passou por uma adolescente de 12 anos e viveu por mais de um ano como filha de um casal em Joinville foi condenada por estelionato e falsa identidade. Amanda Maria Souza de Oliveira recebeu penas que, somadas, chegam a 1 ano, 10 meses e 28 dias, com início do cumprimento em regime semiaberto.
A sentença também manteve a prisão preventiva, o que significa que Amanda não poderá aguardar em liberdade enquanto a defesa recorre da decisão.
Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), Amanda criou uma identidade fictícia e passou a se apresentar como "Gabriele Ferreira dos Santos". Entre fevereiro de 2025 e junho de 2026, ela teria convencido as vítimas de que era uma adolescente em situação de vulnerabilidade e passou a receber moradia, alimentação, transporte, medicamentos e outros cuidados.
Durante a convivência, que durou cerca de 14 meses, Amanda foi tratada como uma espécie de filha adotiva pelo casal. Ela ganhou, entre outras coisas, uma festa de aniversário, quarto com decoração e brinquedos infantis e medicamentos para emagrecimento.
Como o disfarce era mantido
De acordo com a investigação, Amanda relatava supostos episódios de abandono, abusos e maus-tratos para explicar sua situação. Também dizia ter autismo e alegava que sua aparência adulta seria consequência do uso forçado de hormônios durante a infância.
Para sustentar a identidade, ela adotava comportamentos infantilizados, como afinar a voz e utilizar objetos associados à infância, entre eles mamadeiras e chupetas. Também teria simulado crises emocionais durante o período em que permaneceu com a família.
A história começou a ser questionada por uma familiar do casal. Pesquisas na internet levaram à descoberta de relatos semelhantes envolvendo Amanda em outros locais. Ela foi presa no dia 2 de junho, na casa da família.
Conforme informações obtidas durante a investigação, Amanda admitiu ter utilizado identidades e idades falsas e relatou situações semelhantes em Curitiba, Nova Iguaçu e nos estados de Minas Gerais, Goiás e Ceará.
Condenação
A audiência do caso foi realizada na quarta-feira (19), quando foram ouvidas as vítimas, testemunhas e a própria acusada.
Entre os elementos considerados no processo estão informações extraídas de um celular apreendido e os depoimentos prestados durante a investigação e o julgamento. A Justiça entendeu que Amanda agiu conscientemente para enganar o casal e obter vantagens durante o período em que viveu com a família.
A pena foi dividida em 1 ano, 6 meses e 10 dias de reclusão pelo estelionato e 4 meses e 18 dias de detenção pela falsa identidade, ambas com cumprimento inicial em regime semiaberto.
A defesa informou que discorda da condenação e que recorrerá da sentença, buscando a absolvição de Amanda. O processo ainda pode ser analisado por instâncias superiores.
Fonte: Portal da Cidade Brusque
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