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Prevenção

Autolesão entre jovens motiva voluntariado

Pela estimativa do especialista, média de casos na região são superiores aos índices europeus

Postado em 11/09/2019 às 14:13 |

(Foto: Divulgação/Reprodução)

Os recorrentes casos de autolesão são o objeto de trabalho e estudo do psicanalista Mário Eccher. Durante a campanha do Setembro Amarelo, o Portal da Cidade Brusque conversou com especialistas sobre o contexto na região.
Em  "Com atendimentos em alta, CVV, projeta ampliação de serviço para 2020", abordamos como a demanda na região tem se refletido no aumento pela busca de serviços de apoio. Um dado alarmante é justamente a incidência de casos entre jovens e adolescentes.

O problema, segundo o especialista tem se tornado mais recorrente e, em seu acompanhamento em escolas cidades como Brusque e Guabiruba demonstram índices que exigem atenção por parte das sociedades.

Ele trabalha com casos do tipo há mais de um ano nas cidades e mantém pesquisas sobre o tema há mais de 15 anos. O foco está entre adolescentes, com idades entre os 11 aos 19 anos. A idade é colocada como limite pela maior diversidade de ações de autolesão, como o consumo de drogas. “Estamos preocupados com a educação, mas não com a qualidade da saúde mental dessas crianças”

A experiência motivou o psicanalista ao desenvolvimento de uma pesquisa para comprar a ocorrência com os problemas registrados em outros países. Os índices na Europa e Reino Unido indicam a prática em uma criança para cada sete pessoas. No caso de Brusque, em pesquisa feita por Eccher, os casos de autolesão são registrados para uma a cada três pessoas em. A pesquisa foi feita com mais de 155 alunos da região.

Além da pesquisa, Eccher mantém um trabalho voluntário de assistência em escolas voltado ao tema. Pela iniciativa, são feitos cursos com professores e alunos. Nos municípios pesquisados por ele, os relatos de casos de autolesão são os mais comuns. Segundo psicanalista, não há registros de casos de automutilação, quando os danos são irreversíveis, em Brusque ou Guabiruba.


Alívio da dor

A constatação dos problemas na escola, para Eccher não indicam um problema na estrutura educacional, mas de mudanças no desenvolvimento de crianças e jovens. Apesar dos problemas, ele alerta para o nível de fragilidade do público e a possibilidade de tratamento e reversão dos casos.

Segundo o especialista a atenção deve ser com o foco de evitar o aumento da dor sentida pelos jovens. “Quem pratica a autolesão não tem interesse primário de cometer o suicídio. Ela é um meio de aliviar a dor psíquica para que não venha a cometer este ano. Caso nós, enquanto sociedade, agirmos de forma errada com estes adolescentes, podemos causar uma carga psíquica maior, onde a autolesão já não resolve mais”.

A falta de comunicação é um dos pontos para o desenvolvimento dos distúrbios. O ideal, na avaliação dele seria conseguir antecipar o acompanhamento especializado para os três ou quatro anos de idade, na tentativa de criar maior estabilidade emocional e, com isso possibilitar que as crianças possam lidar de melhor forma com as frustrações.


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