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SAÚDE

Desigualdade social está ligada à fome, dizem entidades internacionais

Pese à existência de alimentos que ajudam no combate à desnutrição, esse mal só cresce. Entenda a relação com a desigualdade social no Brasil e no mundo.

Publicado em 11/04/2019 às 00:54
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(Foto: Divulgação )

Em 2018, um relatório da Oxfam Brasil, ONG empenhada no combate à pobreza, revelou um dado preocupante a respeito do país. De acordo com essa instituição, a desigualdade social voltou a crescer no ano passado, contrariando a tendência dos últimos 15 anos. Observou-se um retrocesso nos mais variados níveis: montante investido pelo Governo Federal em políticas públicos, discrepância entre a renda de homens e mulheres e desigualdade social entre brancos e negros.

Ao mesmo tempo, o relatório Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional, editado por instituições de renome, com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), UNICEF e Programa Alimentar Mundial (PAM), afirma que esse cenário de desigualdade está intimamente ligado à fome. Assim, o agravamento de problemas sociais no Brasil deve comprometer a segurança alimentar de uma fatia cada vez maior da população - que, atualmente, afeta mais de cinco milhões de pessoas e não tem sido combatida de forma eficiente, conforme aponta a ONU.

Desigualdade social e desnutrição andam de mãos dadas
Por mais que a desigualdade social tenha crescido no Brasil, esse problema não é exclusividade de um país ou região. Durante o Fórum Econômico de Davos de 2019, diversos participantes demonstraram preocupação com o crescimento da concentração excessiva de renda a nível global, bem como suas relações com a piora da economia e dos indicadores sociais.

Uma das principais consequências desse problema é a fome. Prova disso é o fato de que, em praticamente todos os países, a desnutrição está ligada à baixa renda: no caso de Honduras, por exemplo, ela atinge 42% das crianças de baixa renda, frente a apenas 8% daquelas que vivem em famílias mais abastadas.

Outro sinal de que a desigualdade é a semente para a desnutrição é o fato de que a chamada "carga dupla" da má nutrição também tem crescido. Em outras palavras, ter uma grande quantidade de pessoas muito abaixo do peso ideal convivendo com um enorme contingente de obesos é algo cada vez mais comum. Do mesmo modo, há a possibilidade de uma pessoa ter uma dieta rica em industrializados, contribuindo para o aumento de peso, mas pobre em nutrientes, o que pode levar à desnutrição. Em ambos os casos, os riscos à saúde - e os custos com o seu tratamento - são altos.

Políticas públicas de emprego e renda são essenciais
Por conta da forte relação entre fome, desnutrição e desigualdade social, não há saída: a única maneira de se garantir segurança ambiental para a população é promovendo programas sociais. Essa é a orientação de instituições que são vistas como especialistas no assunto, como a FAO: de acordo com o braço das ONU que lida com assuntos relativos a agricultura e alimentação, o crescimento econômico inclusivo (ou seja, que promova a distribuição de renda para todos, em oposição à concentração dos recursos financeiros) é chave para solucionar esse problema a nível global.

Ainda de acordo com os órgãos especialistas nessa questão, esse crescimento econômico inclusivo está fortemente conectado com a expansão da agricultura familiar. Como essa modalidade de produção costuma usar mais mão-de-obra humana em detrimento de máquinas, há o surgimento de mais oportunidades de trabalho, o que, por sua vez, contribuir com a distribuição de renda. Ao mesmo tempo, há uma quantidade e variedade maior de alimentos disponíveis para a população.

Da mesma maneira, também é interessante ressaltar que as iniciativas de cooperação internacional também são de grande ajuda para eliminar a fome, principalmente nos países mais pobres. Isso pois é através dessas práticas que as indústrias das nações em desenvolvimento podem se fortalecer e concretizar, o que, por sua vez, ajuda tanto a distribuir a renda de uma forma mais homogênea quanto a garantir que os alimentos cheguem a todos os locais onde são necessários.

Consumo de alimentos que ajudam no combate à desnutrição exige orientação
Contudo, por mais importantes que as políticas econômicas sejam no combate à fome e à desnutrição, elas, por si só, não são o suficiente para solucionar o problema: a educação alimentar também é essencial. Afinal, de nada adianta a população ter dinheiro para comprar comida se ela fizer más escolhas nutricionais, que podem até colaborar com o aumento de peso, mas que não ajudarão o corpo a se nutrir adequadamente.

Por conta disso, é interessante que o poder público se engaje com campanhas de conscientização a respeito alimentos que ajudam no combate à desnutrição. Vale ressaltar que, por mais que isso seja importante em todas as idades, trata-se de uma política especialmente útil em escolas, já que é durante a infância que o paladar se desenvolve - inclusive, o fornecimento de refeições escolares equilibradas é tido por especialistas como algo essencial para se combater a desnutrição.

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