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Mortes fake? Entenda como os óbitos pela covid-19 são divulgados em Brusque

Cinco etapas são necessárias para compreender como funciona a propagação destas informações

Postado em 23/07/2020 às 21:08

(Foto: Ilustração)

Com o crescimento no número de óbitos associados à covid-19 em Brusque, muitos internautas que se informam destes dados por meio dos veículos de imprensa passaram a questionar a veracidade destes registros. 

Com objetivo de esclarecer como estes óbitos viram estatísticas e como são divulgados para a comunidade, a reportagem de Portal da Cidade Brusque preparou um passo a passo para que fique claro como os registros são feitos.

Antes de tudo é necessário entender: todas as mortes registradas no boletim epidemiológico foram ocasionadas exclusivamente pelo coronavírus? Não!

O secretário municipal de Saúde, Humberto Fornari, auxiliou na produção deste conteúdo e esclareceu algumas dúvidas frequentes. Primeiramente é necessário entender os motivos pelos quais algumas mortes que não foram necessariamente causadas pela covid-19 são registradas nos boletins.

Caso o paciente suspeito para coronavírus e que está internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) venha a falecer antes mesmo de receber seu resultado, o óbito é considerado como associado à covid-19. Este procedimento é realizado como uma forma de prevenção, pois caso a pessoa tenha sua morte ocasionada pela doença e o velório seja realizado com caixão aberto, o vírus continuará se transmitindo mesmo depois que a pessoa esteja sem vida.

Mesmo que o paciente que veio a óbito apresente apenas suspeitas para a doença, o protocolo de cuidados no funeral deve ser seguido, e por este motivo o falecido é registrado no boletim do coronavírus.

Isso não quer dizer que ele morreu necessariamente em virtude da doença, mas apresentava a possibilidade de estar contaminado, e para evitar que o vírus continue transmitindo mesmo após a morte, o velório precisa seguir os protocolos exigidos.

Funeral para mortes associadas à covid-19: caixão lacrado; 30 minutos ou uma hora de velório; enterro imediato.

Veja o passo a passo de como a informação do óbito chega até você:

1° passo

A Diretoria Municipal de Vigilância Epidemiológica faz um acompanhamento diário com os pacientes internados nos hospitais. Em caso de óbito associados à covid-19, é obrigação dos hospitais informar imediatamente a Vigilância Epidemiológica, independente do horário que a morte ocorreu.

2° passo

Com a informação, a Vigilância Epidemiológica encaminha o registro de óbito para a diretora-geral de Vigilância em Saúde, Alicia Maria de Andrade Fagundes.

3° passo

A diretora-geral de Vigilância em Saúde tem o papel de repassar a informação confirmando a morte para a Secretaria de Comunicação Social (Secom).

4° passo

No grupo de WhatsApp com os profissionais da imprensa, algum servidor que faz parte da equipe da Secom encaminha um release (texto resumido com as principais informações) por mensagem, onde consta o nome do falecido, a idade, o bairro, o local de internação, a data que sentiu os primeiros sintomas, a data que recebeu o resultado do exame, a data que deu entrada no hospital e, também, se havia histórico de comorbidades.

5 passo

Após a imprensa levar a informação para a população do determinado óbito associado à covid-19, a Central Funerária Brusque encaminha uma mensagem em outro grupo de WhatsApp, onde consta a identidade da vítima.

Fake news

Em época de pandemia é necessário estar atento as fake news divulgadas nas redes sociais.

Já desmentida por diversos veículos de imprensa, o vídeo em que um homem afirma que os hospitais recebem uma quantia de R$ 18 mil é falso.

Na filmagem o indivíduo diz: "Eu conversei com o médico na boa e ele me falou que toda vez que tem covid [no registro de óbito], o hospital ganha R$ 18 mil. Então esse é o Brasil, isso é política".

O vídeo que apresenta este conteúdo que não é verdadeiro foi gravado no Rio Grande do Sul e é referente à um óbito que ocorreu na cidade de Ipê (RS), no dia 16 de junho.

Em relação a documentação que o homem apresenta na filmagem, a Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social de Ipê diz que se trata de um caso de morte domiciliar, que aconteceu sem assistência médica, ou seja, não teve a causa da morte atestada com precisão no exato momento.

O Ministério da Saúde informou, também, que não repassa nenhuma quantia financeira aos hospitais pelas mortes associadas à covid-19.

A impossibilidade disto acontecer também se dá pelo fato do acompanhamento diário por parte das prefeituras municipais com os hospitais, que tomam conhecimento sobre o caso deste a data que determinado paciente testou positivo para a doença.

O secretário de Saúde, Humberto Fornari, lamenta que informações como essas ainda acabam sendo divulgadas por meio de mentiras. “Isso não pode ser propagado para a nossa população, é uma calúnia horrenda, estúpida e politiqueira, apenas atrapalha o nosso dia à dia de trabalho”, afirma.


Fonte:

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