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REPERCUSSÃO

“Nenhuma medalha coloca alguém acima da lei”, diz mulher após prisão de atleta em corrida

Advogada se manifestou após Rafael de Oliveira ser detido durante a corrida Corra Por Elas, no domingo (11), em Brusque

Publicado em 13/10/2026 às 17:36
Atualizado em

(Foto: Reprodução)

A advogada e corredora amadora Ana Claudia Thomaz se manifestou após a repercussão da prisão do atleta Rafael de Oliveira, conhecido como Rafinha, suspeito de descumprir uma medida protetiva de urgência durante a corrida de rua Corra Por Elas, realizada no domingo (11), em Brusque. Em declaração, ela afirmou que não pretende impedir o ex-companheiro de participar de competições, mas deseja continuar praticando o esporte sem medo.

O atleta foi detido pela Polícia Militar após Ana Claudia acionar o botão do pânico ao perceber a presença dele no evento. Segundo o relato policial, a mulher afirmou que o ex-companheiro passou diversas vezes próximo dela e a encarou, provocando uma sensação de medo e ameaça.

A advogada explicou que possui uma medida protetiva concedida pela Justiça em razão de episódios de violência psicológica e moral, que estabelece uma distância mínima de 300 metros entre os dois.

"Essa determinação não partiu de mim, mas do Poder Judiciário, e deve ser respeitada", afirmou.

Mulher contesta versão apresentada pelo atleta

Após a ocorrência, Rafael publicou vídeos nas redes sociais afirmando que continuará participando de corridas em Brusque e na região. Em uma das gravações, declarou que sua condição de atleta profissional faz com que participe frequentemente dessas competições.

"Quem se sentiu constrangido, não vá nessas provas. Eu sou o cara da corrida e vou estar presente nas corridas", disse.

Em resposta, Ana Claudia ressaltou que a Corra Por Elas é uma corrida de caráter participativo e social, aberta a pessoas de diferentes níveis de experiência, e não uma competição exclusivamente profissional.

Ela também contestou a informação de que o ex-companheiro estaria representando oficialmente o município naquela ocasião. Segundo a advogada, a condição de atleta federado não significa, por si só, que ele estivesse participando do evento como representante de Brusque.

"Mesmo uma eventual representação oficial do município não afastaria automaticamente a determinação judicial", argumentou.

A mulher afirmou ainda que aquele não teria sido o primeiro encontro entre os dois em um evento esportivo e que sua participação na corrida já havia sido divulgada anteriormente nas redes sociais.

"Não fui ao evento para perseguir, provocar ou prejudicar ninguém. Fui correr, como sempre fiz", declarou.

“Nenhuma medalha coloca alguém acima da lei”

Ana Claudia também relatou os impactos emocionais que atribui aos episódios vivenciados durante e após o relacionamento. Segundo ela, as situações de violência psicológica e moral afetaram sua dignidade e provocaram crises de ansiedade, inclusive durante a prática esportiva.

A advogada, que atua na área de Direito de Família, afirmou que a experiência a colocou na posição de buscar a mesma proteção que costuma defender profissionalmente para outras mulheres.

Ela também considerou contraditório que o episódio tenha ocorrido durante uma corrida voltada à valorização das mulheres.

"Não busco prejudicar a trajetória esportiva de ninguém. Também não pretendo transformar essa situação em uma disputa pública", afirmou.

Ao encerrar sua manifestação, Ana Claudia reforçou que pretende continuar participando de corridas e pediu que a decisão judicial seja respeitada.

"Não quero impedir ninguém de correr. Quero apenas continuar correndo sem medo, sem ansiedade, com minha dignidade e meus direitos respeitados."

"Não sou eu quem determina os 300 metros de afastamento. Foi a Justiça. E nenhuma medalha, título ou reconhecimento esportivo coloca alguém acima da lei", concluiu.

Relembre o caso

Rafael de Oliveira foi detido pela Polícia Militar no domingo (11), durante a corrida Corra Por Elas, em Brusque, após a ex-companheira acionar o botão do pânico.

Conforme o registro policial, Ana Claudia relatou que os dois mantiveram um relacionamento de aproximadamente três meses, marcado, segundo ela, por episódios de violência psicológica e ofensas que motivaram a concessão da medida protetiva.

Durante a abordagem, o atleta afirmou aos policiais que possuía autorização judicial para participar da corrida. Ele foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil para os procedimentos cabíveis.

A detenção ocorreu por suspeita de descumprimento da medida protetiva. As informações apresentadas não permitem concluir se houve efetivamente violação da ordem judicial.

Fonte: Portal da Cidade Brusque

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