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INVESTIGAÇÃO

Diego Souza é citado em esquema de diplomas falsos de técnico; JEC investiga documentação

Treinador afirma que recebeu documentos em 2023 e desconhecia irregularidades; clube analisa situação junto à CBF

Publicado em 08/10/2026 às 09:42
Atualizado em

(Foto: Divulgação)

O técnico do Joinville, Diego Souza, está entre os ex-jogadores citados em uma investigação jornalística sobre um suposto esquema de venda de diplomas falsos para treinadores de futebol.

A reportagem da jornalista Joanna de Assis, publicada pelo UOL, aponta o ex-volante argentino Alejandro Mancuso, com passagens por Palmeiras e Flamengo, como responsável pela comercialização dos documentos.

Diego, que também atuou por clubes como Grêmio, Vasco e Palmeiras, aparece no Boletim Informativo Diário (BID) de treinadores da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com uma licença PRO atribuída à Associação de Técnicos de Futebol da Argentina (ATFA). O registro o autorizava a trabalhar como treinador a partir de 27 de agosto deste ano.

A reportagem consultou a entidade argentina sobre nomes de profissionais mencionados no esquema. Segundo a ATFA, os nomes apresentados não constavam em seus registros.

Em entrevista ao UOL, Diego Souza afirmou que recebeu a documentação em 2023, quando ainda era jogador do Grêmio, e que acreditava estar participando de um procedimento legítimo.

Diante da repercussão, o Joinville divulgou uma nota oficial nesta quinta-feira (8), informando que está apurando as circunstâncias da obtenção da licença e avaliando eventuais medidas para regularizar a situação do treinador.

Diego Souza relata como conseguiu a licença

De acordo com o relato do atual treinador do Joinville, o contato com Mancuso aconteceu depois que ambos participaram de um grupo de WhatsApp que reunia personalidades do futebol sul-americano.

O argentino teria se apresentado como diretor internacional da ATFA e oferecido uma modalidade de certificação destinada a jogadores de grande reconhecimento, que dispensaria as etapas tradicionais de formação.

Diego afirmou que Mancuso mencionou outros ex-jogadores que supostamente já haviam conseguido documentos por meio dele. O histórico do argentino no futebol e as informações obtidas com outros atletas fizeram com que acreditasse na proposta.

O treinador explicou que a intenção era se preparar para continuar trabalhando no futebol depois da aposentadoria como jogador. Segundo ele, a licença oferecida permitiria atuar profissionalmente em diferentes países.

A documentação foi obtida em 2023, mas Diego só iniciou a carreira como treinador neste ano.

Registro na CBF e início da carreira no Joinville

Diego Souza recebeu a proposta para assumir o Joinville em julho de 2026. O acordo previa um contrato de três meses, com remuneração considerada modesta pelo próprio treinador.

Ele iniciou oficialmente o trabalho em 1º de agosto e comandou a equipe pela primeira vez no dia 30 daquele mês, na derrota por 4 a 2 para o Marcílio Dias, pela rodada de abertura da Copa Santa Catarina.

Quando assinou a súmula da partida, Diego afirma que desconhecia qualquer irregularidade envolvendo suas licenças.

No registro de treinadores da CBF, o profissional aparece habilitado desde 27 de agosto, com uma licença PRO atribuída à ATFA.

A revelação do caso levanta questionamentos sobre a documentação utilizada para o registro profissional. O Joinville informou que está analisando os procedimentos adotados e possíveis medidas de regularização.

Esquema envolveria diplomas vendidos por R$ 100 mil

A investigação de Joanna de Assis aponta que Alejandro Mancuso oferecia um conjunto de quatro licenças de treinador: C e B, voltadas às categorias de base, A, de nível profissional, e PRO, que permite o exercício da função no nível mais elevado.

Segundo a reportagem, o pacote custava R$ 100 mil e os documentos poderiam ser obtidos em aproximadamente dez dias.

O procedimento contrariava a formação convencional da ATFA, que exige cerca de três anos de estudos para a conclusão das etapas necessárias até a licença PRO.

A investigação identificou inconsistências e erros ao comparar documentos atribuídos à entidade com diplomas considerados autênticos.

Mancuso teria utilizado sua trajetória como jogador e seus contatos no futebol para apresentar a proposta a atletas e ex-atletas. Ele afirmava possuir ligação com dirigentes da associação argentina, inclusive com o presidente e o departamento jurídico.

A ATFA, porém, negou qualquer vínculo institucional com o ex-jogador.

Procurado pela reportagem do UOL, Mancuso também negou integrar a entidade. Ele afirmou que, por ser conhecido no futebol brasileiro, recebia consultas de profissionais interessados em obter licenças e que apenas fornecia contatos da federação argentina.

Outros nomes conhecidos aparecem na investigação

Além de Diego Souza, a apuração cita jogadores e ex-jogadores como Thiago Silva, Luiz Gustavo, Diego Lugano, Paolo Guerrero, Roberto Carlos, Felipe Melo, Alex de Souza, Petkovic e Paulinho, entre outros.

A presença dos nomes na investigação não significa, por si só, que os profissionais soubessem de possíveis irregularidades.

Segundo a reportagem, Alex de Souza, Luiz Gustavo, Roberto Carlos, Petkovic, Roberto Assis e Thiago Silva sustentaram que desconheciam a irregularidade dos documentos e que não utilizaram as licenças.

O caso teria começado a ser denunciado em maio de 2024, quando um ex-jogador, que preferiu não se identificar, recebeu uma proposta atribuída a Mancuso.

Em mensagens de áudio mencionadas na investigação, o argentino teria afirmado que Salvador Pasini, diretor-geral da ATFA, conhecia o procedimento e assinaria os diplomas.

A entidade argentina, no entanto, não reconhece a legitimidade do esquema descrito na reportagem.

Joinville avalia medidas jurídicas e administrativas

Após a publicação da investigação, o Joinville Esporte Clube se manifestou oficialmente nesta quinta-feira.

O clube informou que está levantando informações sobre a documentação apresentada por Diego Souza e sobre os procedimentos utilizados para registrar o treinador na CBF.

O JEC também destacou que, conforme os esclarecimentos prestados pelo profissional, a documentação foi obtida antes de sua contratação, quando ele acreditava na legitimidade do processo.

Até o momento, o clube não anunciou afastamento ou desligamento do treinador.

Confira a nota oficial do Joinville na íntegra

NOTA OFICIAL

Joinville Esporte Clube

O Joinville Esporte Clube vem a público se manifestar a respeito da reportagem publicada nesta quinta-feira (8), pelo portal UOL, assinada pela jornalista Joanna de Assis, que aborda possíveis irregularidades na documentação de habilitação profissional apresentada pelo técnico Diego Souza, em um contexto mais amplo de denúncias envolvendo a emissão de licenças para treinadores de futebol.

Diante das informações divulgadas, o clube esclarece que está realizando os levantamentos necessários para compreender integralmente as circunstâncias relacionadas à documentação e aos procedimentos de registro do profissional junto à Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

O Joinville ressalta que, conforme os esclarecimentos prestados pelo próprio Diego Souza, o treinador obteve a documentação em 2023, antes de seu vínculo com o clube, acreditando na legitimidade do processo.

Paralelamente, o clube está avaliando, sob os aspectos jurídico e administrativo, os procedimentos relacionados ao registro, bem como eventuais medidas de regularização que se mostrem necessárias, em observância às normas aplicáveis ao futebol brasileiro.

O Joinville Esporte Clube reafirma seu compromisso com a transparência, colocando-se à disposição da CBF e dos órgãos competentes para prestar os esclarecimentos necessários.

Joinville Esporte Clube

Joinville, 8 de outubro de 2026.

Fonte: Portal da Cidade Brusque

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