ASSÉDIO ELEITORAL
Lista incentiva boicote a empresas de Brusque e Guabiruba apontadas como petistas
Mensagens circulam em grupos de WhatsApp após as eleições e também incentivam a demissão de trabalhadores por suas escolhas políticas
Publicado em 28/10/2026 às 14:01
Listas com nomes de estabelecimentos comerciais supostamente ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT) estão circulando em grupos de WhatsApp de Santa Catarina após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (25). As mensagens incentivam o boicote a empresas e a discriminação de trabalhadores por suas posições políticas.
O Portal da Cidade Brusque teve acesso a uma dessas listas, que inclui estabelecimentos de Brusque e Guabiruba, de diferentes segmentos comerciais. As mensagens orientam os participantes a não comprar produtos ou contratar serviços das empresas mencionadas.
Os nomes dos estabelecimentos serão preservados pela reportagem para evitar a exposição de comerciantes que podem ter sido incluídos na relação sem qualquer fundamento.
Não há confirmação de que as empresas citadas tenham ligação com o PT, apoiem Lula ou tenham manifestado publicamente preferência por algum candidato.
Além do boicote comercial, publicações compartilhadas nas redes sociais incentivam empresários a identificar funcionários que votaram em Lula e demiti-los por suas escolhas políticas.
Discriminação política pode ter consequências legais
A liberdade de manifestação política é protegida pela Constituição Federal. No entanto, ameaças, ofensas e práticas discriminatórias podem gerar responsabilização judicial, dependendo das circunstâncias.
No ambiente de trabalho, a discriminação por opinião política é vedada. Trabalhadores demitidos por motivação político-partidária podem recorrer à Justiça do Trabalho e buscar reparação por danos morais, reintegração ao emprego ou indenização, conforme o enquadramento do caso.
Pessoas que incentivam perseguições e demissões discriminatórias também podem ser investigadas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), mesmo que não sejam empregadoras.
Na esfera criminal, publicações que contenham ameaças ou ofensas contra pessoas identificáveis podem configurar crimes previstos no Código Penal, dependendo do conteúdo e das circunstâncias.
A divulgação de informações falsas que prejudiquem a reputação de pessoas ou empresas também pode resultar em ações judiciais e pedidos de indenização.
Entretanto, a mera manifestação de preferência política ou a decisão individual de não comprar em determinado estabelecimento não constitui, por si só, crime.
Empresas são expostas sem comprovação
A circulação das listas pode prejudicar estabelecimentos de Brusque e Guabiruba independentemente de seus proprietários terem manifestado qualquer posicionamento político.
A inclusão de empresas sem confirmação de vínculo partidário também pode provocar danos à reputação dos negócios, especialmente quando as mensagens são compartilhadas repetidamente em grupos e redes sociais.
Até o momento, não há confirmação sobre a autoria original da lista recebida pela reportagem ou sobre eventuais medidas judiciais relacionadas à sua divulgação.
Fonte: Portal da Cidade Brusque
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