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ALIMENTAÇÃO

Nove em cada dez adolescentes acompanhados pelo SUS em Brusque consomem ultraprocessados

Levantamento da rede municipal também aponta consumo de ultraprocessados entre crianças de 6 a 23 meses

Publicado em 31/08/2026 às 17:41

(Foto: Reprodução)

Biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, refrigerantes, macarrão instantâneo, salsichas e nuggets são alguns exemplos de alimentos ultraprocessados que fazem parte do cotidiano de muitas famílias. Em Brusque, dados de 2026 mostram que esses produtos aparecem na alimentação de nove em cada dez adolescentes acompanhados pela Atenção Primária à Saúde.

Segundo informações do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), dos 166 adolescentes com dados registrados no município, 150 apresentaram consumo de alimentos ultraprocessados, o equivalente a 90,36%.

Isso não significa que 90% de todos os adolescentes de Brusque consumam esses produtos. O percentual considera especificamente o grupo acompanhado e com informações inseridas no sistema.

Mas o que são ultraprocessados?

De acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, ultraprocessados são produtos feitos industrialmente, geralmente com muitos ingredientes e substâncias que não costumam ser utilizadas na cozinha de casa, como corantes, aromatizantes, emulsificantes e realçadores de sabor.

Entre os exemplos estão refrigerantes, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, sorvetes, balas, cereais matinais açucarados, barras de cereal, macarrão e sopas instantâneas, bebidas energéticas, salsichas, nuggets, hambúrgueres e pizzas congeladas, além de outros produtos prontos ou quase prontos para consumo.

Nem todo alimento que passa por algum processamento industrial, porém, é ultraprocessado. O Ministério da Saúde diferencia, por exemplo, alimentos minimamente processados, como arroz e feijão, de processados, como determinados queijos, conservas e atum ou sardinha em lata. O grau e a finalidade do processamento e os ingredientes utilizados é que determinam a classificação.

Consumo aparece já entre crianças pequenas

Os registros de Brusque mostram que os ultraprocessados não aparecem somente entre adolescentes e adultos. Entre as crianças de 6 a 23 meses acompanhadas pela rede, 20% tiveram registro de consumo desses produtos, considerando biscoitos recheados, doces e guloseimas.

A presença nessa idade chama atenção porque a orientação oficial do Ministério da Saúde é não oferecer alimentos ultraprocessados para crianças menores de dois anos, além de não oferecer preparações ou produtos com açúcar nessa faixa etária.

Entre os adultos, foram avaliadas 983 pessoas. O consumo de ultraprocessados apareceu em 73,14% delas. Ao mesmo tempo, 82,71% tiveram registro do consumo de feijão.

Entre os idosos acompanhados, 59,41% apresentaram consumo de ultraprocessados.

Verduras também aparecem entre adolescentes

Os números não mostram apenas o consumo de produtos industrializados. Entre os adolescentes avaliados em Brusque, 80,12% também apresentaram registro de consumo de verduras e legumes.

Os indicadores não são excludentes. Ou seja, um adolescente que aparece entre aqueles que consumiram ultraprocessados também pode estar entre os que consumiram verduras e legumes.

Para a nutricionista da Secretaria Municipal de Saúde Rafaela Lopes Doria, discutir alimentação entre adolescentes não deve se resumir a simplesmente proibir determinados produtos.

“A educação alimentar não deve ser baseada apenas em proibições, mas em conhecimento, autonomia e acesso. Precisamos conversar sobre alimentação dentro da realidade dos adolescentes, considerando escola, família, trabalho, renda, publicidade, tempo disponível e os espaços onde esses jovens vivem e fazem suas escolhas”, afirma.

Segundo Rafaela, os dados registrados no Sisvan ajudam os profissionais a entender os hábitos das pessoas atendidas e a planejar ações de saúde.

“O trabalho do nutricionista no SUS vai muito além da prescrição de dietas. É um trabalho que envolve promoção da saúde, prevenção de doenças, educação alimentar e nutricional, vigilância e planejamento”, explica.

O Ministério da Saúde recomenda que a alimentação tenha como base alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, ovos, carnes, arroz e feijão, e orienta evitar os ultraprocessados.

Os dados municipais foram divulgados nesta segunda-feira (31), data em que é celebrado o Dia do Nutricionista.

Fonte: Portal da Cidade Brusque

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