Uma decisão da Justiça de Joinville condenou um médico e uma clínica de cirurgia plástica a indenizar a família de uma paciente que morreu após complicações decorrentes de uma cirurgia estética realizada em 2017.
A sentença determina o pagamento de R$ 250 mil por danos morais ao marido e aos filhos da vítima, além do ressarcimento de despesas comprovadas no processo. Ainda cabe recurso da decisão.
Segundo os autos, a mulher foi submetida, em julho de 2017, a uma série de procedimentos estéticos realizados em uma única cirurgia. Entre eles estavam abdominoplastia, lipoaspiração em diferentes regiões do corpo e mastopexia, procedimento voltado à remodelação das mamas.
A operação durou mais de sete horas. Durante o procedimento, a paciente sofreu uma parada cardiorrespiratória, que provocou uma grave lesão cerebral causada pela falta de oxigenação adequada do cérebro.
A partir desse episódio, ela permaneceu em estado vegetativo por cerca de oito meses, até falecer em abril de 2018.
O que foi discutido no processo
A principal discussão do caso não envolveu a realização das cirurgias em si, mas a decisão de concentrar todos os procedimentos em uma única intervenção cirúrgica.
A família sustentou que a paciente foi submetida a uma operação extensa e prolongada, o que teria aumentado os riscos envolvidos no procedimento.
Uma perícia realizada durante o processo concluiu que não existia uma proibição médica absoluta para a realização das cirurgias. No entanto, apontou que recomendações técnicas da área indicavam como alternativa mais segura a realização dos procedimentos em etapas, com cirurgias separadas.
O laudo também destacou que, diante do longo tempo de duração da operação, existia a possibilidade de interromper parte dos procedimentos e concluí-los em outro momento.
Entendimento da Justiça
Ao analisar o caso, o juiz concluiu que houve falha na condução do procedimento ao optar por uma estratégia considerada mais arriscada, sem a adoção de medidas que poderiam reduzir os riscos à paciente.
Para a Justiça, embora uma parada cardiorrespiratória possa ocorrer de forma inesperada, a escolha de realizar diversos procedimentos em uma única cirurgia prolongada contribuiu para aumentar a probabilidade de complicações.
A decisão também considerou o sofrimento enfrentado pela paciente e pela família durante os meses em que ela permaneceu em estado vegetativo antes do falecimento.
Com isso, o magistrado determinou que o médico e a clínica respondam conjuntamente pela indenização fixada à família.