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Quatro meses após cortes de verba, IFC atua no limite de gastos e recebe doações

Contratos tiveram que ser renegociados, visitas técnicas canceladas, alunos carentes perderam o auxílio alimentação e até o corte da grama foi comprometido

Publicado em 03/09/2019 às 00:52
Atualizado em

(Foto: Divulgação)

Quatro meses após o anúncio do contingenciamento de recursos para as instituições federais de ensino, o Instituto Federal Catarinense (IFC), campi de Brusque, atua com os gastos da instituição quase ao limite. De acordo com a Lei Orçamentária Anual (LOA), o instituto receberia o equivalente à R$ 1.210.621,15 para a manutenção das atividades de 2019. No entanto, com o corte, este valor passou para R$ 738.498,12. 

Até o momento, o valor ainda não foi disponibilizado em sua totalidade e o IFC de Brusque recebeu até agora o equivalente a R$ 638.334,63. O total corresponde a pouco mais de 56% do que era previsto originalmente e 93% do recurso anunciado com o contingenciamento.

Na prática, a redução da verba federal faz com que a administração do Campi tenha que economizar em atividades básicas do dia a dia. “O planejamento está pautado em manter os serviços básicos e o mínimo de qualidade de ensino para os alunos, preservando os auxílios de permanência, assim como as bolsas de ensino, pesquisa e extensão, tentando manter a produtividade científica e as condições básicas de funcionamento”, explica o diretor do departamento de Administração e Planejamento do IFC de Brusque, Fabio Barbosa Toledo .

O impacto da redução do recurso é sentido pelos alunos, na qualidade do ensino e também pelos servidores, em relação às condições de trabalho. Hoje, os aparelhos de ar condicionado das salas de aula precisaram ser desligados. O contrato com a jardinagem foi cancelado e o subsídio da alimentação dos alunos também foi cortado. A medida prejudica estudantes carentes que passam o dia no instituto e, agora, precisam arcar com os custos da alimentação de forma total.

Além disso, também foram canceladas capacitações dos servidores, demais manutenções prediais e viagens técnicas e a serviço. As visitas técnicas dos alunos também foram canceladas. “Todas as visitas técnicas custeadas pela instituição, tanto as viagens a parques nacionais e centros de proteção animal e ambiental que fomentaria o conhecimento prático dos alunos na área das ciências naturais, e também idas a museus, assim como visita às empresas no ramo de química, centros de tratamento de água e efluentes foram cancelados”, relata Fábio.

A redução de verbas também comprometeu as pesquisas. Segundo Fabio, no momento a maior dificuldade está voltada para a compra de materiais e insumos para os laboratórios, tanto para a química, quanto para informática.

Eventos Comprometidos  

Com os cortes, até mesmo os eventos mais importantes da Instituição precisaram ser reduzidos, como é o caso da Semana integrada de ensino, pesquisa e extensão do Instituto Federal Catarinense – campus de Brusque (Facchu) que reúne trabalhos na área científica e cultural.

Em 2018 o evento teve programação de uma semana, com palestras e oficinas e participação de escolas e comunidade local. Desta vez, a grade de atividades teve que ser reduzida para uma noite e uma manhã.  

O mesmo problema ocorreu com o evento institucional do IFC, a XII Mostra Nacional de Iniciação Científica e Tecnológica Interdisciplinar (MICTI) que em seu formato original agrega exposição multidisciplinar a fim de divulgar à comunidade interna e externa, os resultados dos projetos de Ensino, Extensão, Pesquisa e Inovação, desenvolvido pelo IFC. Em 2018, a edição do evento reuniu mais de 500 participantes em uma programação estendida por três dias. Desta vez, foram apenas dois dias.  

Alternativas variadas  

A fim de reverter a situação, o Instituto busca formas alternativas para obter recursos e materiais de trabalho. Exemplo disso é o esforço que a direção tem feito para conseguir parceiros voluntários que possam fazer a jardinagem do campus gratuitamente.

Outra ação que já é viabilizada é a troca de materiais excedentes entre os demais campi e disponibilidade de doações de itens de outros órgãos públicos e organizações do estado. “Recentemente, também recebemos ofertas de doações de empresa da cidade, da qual nossos alunos trabalham, conseguindo materiais de consumo e equipamentos para as aulas práticas dos cursos na área de informática”, revelou.  

Contratos Terceirizados  

Em Brusque, o contrato de vigilância eletrônico foi reduzido em 25%, sem alteração do serviço. O contrato com a limpeza também teve que ser revisto e houve uma redução de 25% no valor, mas uma das funcionárias da limpeza teve que ser demitida.

Além disso, a direção também trabalha pela diminuição do uso da energia através da readequação do contrato da instituição junto à Celesc, para isso foi necessário contratar uma faixa de consumo menor e o contrato de jardinagem foi cancelado.

Expectativas  

Para o futuro, Fabio fala em nome da direção do campus quando revela que espera que o Governo Federal repense a liberação do orçamento integral até o final do ano. “Esperamos isso para que não tenhamos um comprometimento maior das atividades, de qualquer forma em contraposição ao contingenciamento”, disse.

Segundo ele, as economias que têm sido praticadas já fazem parte do cotidiano da instituição, como praxe da gestão dos recursos públicos. “Os recursos que são disponibilizados à educação pública já eram escassos, o que nos trazia muita dificuldade de fazer o mínimo para o provimento de um processo educacional que acreditamos ser integral, universal e multilateral. Este cenário se agrava muito com o contingenciamento”, pontua.

Para ele, a qualidade do ensino dos Institutos federais é o maior mérito da instituição; “Os resultados no ENEM e as pesquisas e ações que estamos fazendo estão demonstrando do que somos capazes a toda sociedade brusquense”, disse ressaltando a qualidade do corpo docente.

“O IFC tem trabalhado incessantemente para não perder a qualidade de ensino, já que possui um corpo docente e técnico digno de universidade, com mestres e doutores em todas as áreas, porém, se perdurar essas restrições orçamentárias, não teremos como garantir a manutenção deste padrão de qualidade, que nos levará a um sucateamento iminente, não só nosso, mas de toda a rede de ensino federal do Brasil”, finalizou.


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