VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
Ex-marido manda desligar energia e mãe cria filho autista sem luz por cinco anos em SC
Segundo o Ministério Público, corte da energia foi uma forma de vingança após a vítima conseguir uma medida protetiva contra o ex-marido
Publicado em 04/07/2026 às 14:25
Uma mulher e o filho, que é autista, passaram quase cinco anos vivendo sem energia elétrica em casa, em Criciúma, após o ex-marido mandar desligar o fornecimento como forma de vingança depois que ela conseguiu uma medida protetiva por violência doméstica. O caso foi divulgado nesta semana pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
Sem eletricidade desde 2021, mãe e filho precisaram adaptar a rotina para enfrentar as dificuldades do dia a dia. A mulher aquecia água no fogão para tomar banho de caneca, guardava alimentos na geladeira de vizinhos e dependia da ajuda deles até mesmo para carregar o celular. Nos dias mais quentes, a única alternativa para aliviar o calor era manter as janelas abertas.
Em depoimento divulgado pelo Ministério Público, ela contou que um vizinho chegou a passar uma extensão elétrica para que pudesse recarregar o telefone e utilizar pequenos aparelhos.
"Eu tomava banho igual antigamente, de bacia. O vizinho me ajudou muito. Ele colocou uma extensão para eu carregar o celular e até deixou espaço no freezer para guardar carne", relatou.
Segundo o MPSC, o fornecimento de energia foi interrompido logo após a vítima obter uma medida protetiva contra o então marido, que deixou a residência por determinação judicial. Como a unidade consumidora estava registrada no nome dele, o homem solicitou o desligamento da energia.
O agressor morreu cerca de um ano depois, mas, conforme a investigação, os ex-sogros da mulher continuaram impedindo que o serviço fosse restabelecido. A intenção, segundo o Ministério Público, era fazer com que ela abandonasse a casa onde vivia havia mais de 20 anos.
A vítima chegou a tentar religar a energia pela Justiça, mas o pedido foi negado devido a questões envolvendo a titularidade do imóvel e da unidade consumidora.
A situação só começou a mudar em maio deste ano, quando a mulher relatou o caso durante uma audiência relacionada a uma ação penal contra os ex-sogros por violência psicológica. A partir desse depoimento, o Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (NEAVIT), do Ministério Público, ingressou com um novo pedido judicial.
Em junho, a Justiça determinou o restabelecimento da energia elétrica. O serviço foi religado no dia 18, encerrando um período de quase cinco anos de privações.
Para o promotor de Justiça Samuel Dal Farra Naspolini, a privação da energia elétrica representou uma forma continuada de violência psicológica contra a vítima.
Fonte: Portal da Cidade Brusque
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