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JUSTIÇA

Dois são condenados por caso que matou quatro jovens dentro de BMW em SC

Sentença foi proferida mais de dois anos após a tragédia registrada no réveillon de 2024

Publicado em 16/06/2026 às 17:14

(Foto: Reprodução)

Mais de dois anos após a morte de quatro jovens encontrados desacordados dentro de uma BMW em Balneário Camboriú, a Justiça de Santa Catarina condenou duas pessoas por envolvimento no caso.

A sentença foi proferida em 27 de março de 2026 e condenou Jhones Smith Jesus da Silva e Adailton Moreira da Silva a um ano e quatro meses de prisão, em regime semiaberto, por quatro homicídios culposos (quando não há intenção de matar). Ambos poderão recorrer em liberdade.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Jhones era sócio-administrador da oficina responsável pelo serviço realizado no veículo, enquanto Adailton executou a modificação que, conforme as investigações, resultou no vazamento de monóxido de carbono para o interior do carro.

Quatro jovens morreram após intoxicação

O caso ocorreu na manhã de 1º de janeiro de 2024, na rodoviária de Balneário Camboriú.

As vítimas foram identificadas como Gustavo Pereira Silveira Elias, de 24 anos, Karla Aparecida dos Santos, de 19, Tiago de Lima Ribeiro, de 21, e Nicolas Kovaleski, de 16 anos. Eles foram encontrados inconscientes dentro de uma BMW estacionada no terminal rodoviário e, apesar das tentativas de socorro, tiveram as mortes confirmadas no local.

Os quatro eram naturais de Minas Gerais e haviam se mudado recentemente para cidades da Grande Florianópolis em busca de trabalho.

O que apontou a investigação

De acordo com a Polícia Científica, as vítimas morreram por asfixia causada pela inalação de monóxido de carbono.

A perícia concluiu que uma peça modificada no sistema de escapamento, conhecida como downpipe, sofreu uma ruptura, permitindo o vazamento dos gases produzidos pelo motor.

Segundo a investigação, o proprietário da BMW havia contratado uma modificação no veículo para aumentar a potência e o ruído do escapamento. O serviço, que custou cerca de R$ 25 mil, substituiu o sistema original equipado com catalisador por uma peça sem o componente responsável por reduzir a emissão de gases tóxicos.

A perícia apontou que a retirada do catalisador, somada à falha na fabricação e instalação da peça, contribuiu para o acúmulo de monóxido de carbono no compartimento do motor. O gás acabou sendo puxado para o interior do veículo pelo sistema de ar-condicionado.

Horas dentro do veículo ligado

Segundo a denúncia, após assistir à queima de fogos do réveillon em Balneário Camboriú, o grupo seguiu para a rodoviária para buscar a namorada de um dos ocupantes, que chegava de Minas Gerais.

Durante o trajeto, os jovens começaram a relatar sintomas como tontura, náuseas e tremores. Eles chegaram a associar o mal-estar a um cachorro-quente consumido na praia.

A investigação apontou que o carro permaneceu ligado entre três e quatro horas, com o ar-condicionado em funcionamento.

A jovem que era aguardada pelo grupo chegou ao terminal por volta das 3h e entrou e saiu do veículo diversas vezes ao longo da madrugada. Por não permanecer continuamente dentro do carro, ela sobreviveu.

Conforme a denúncia, o motorista chegou a entrar em contato com o Corpo de Bombeiros, que orientou o acionamento do Samu. No entanto, o serviço não foi chamado naquele momento.

Por volta das 7h, a jovem percebeu que os ocupantes da BMW não apresentavam sinais vitais e acionou o socorro. Equipes realizaram manobras de reanimação por cerca de 40 minutos, mas as mortes foram confirmadas no local.

Sentença

Na decisão, o juiz Gilberto Gomes de Oliveira Júnior entendeu que houve negligência, imprudência e imperícia na realização do serviço que modificou o veículo.

Segundo a sentença, a falha na fabricação e instalação da peça, aliada à retirada do catalisador, foi determinante para o vazamento do monóxido de carbono que causou a morte dos quatro ocupantes da BMW.

Fonte: Portal da Cidade Brusque

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