Consequência
Adolescente perde testículo após atraso no diagnóstico médico e cidade é condenada em SC
Justiça determinou o pagamento de R$ 55 mil por danos morais e estéticos após diagnóstico tardio de torção testicular
Publicado em
04/08/2026 às 17:06
Atualizado em
A Justiça condenou o município de Balneário Piçarras, no Litoral Norte de Santa Catarina, ao pagamento de R$ 55 mil em indenização a um adolescente que perdeu um dos testículos após um diagnóstico tardio e falhas no atendimento prestado em uma unidade de saúde da rede pública.
Segundo o processo, o adolescente procurou atendimento médico com fortes dores testiculares, além de náuseas e vômitos. Na ocasião, recebeu diagnóstico de possível hérnia, foi medicado para aliviar os sintomas e orientado a procurar uma unidade básica de saúde posteriormente.
Ainda conforme a ação, a possibilidade de torção testicular — uma emergência médica que exige atendimento imediato — não foi devidamente investigada. O paciente também não foi encaminhado para avaliação especializada nem submetido aos exames necessários.
Com o agravamento do quadro, o adolescente voltou a buscar atendimento e, somente então, foi diagnosticada a torção testicular, condição em que o testículo gira sobre o próprio eixo, interrompendo o fluxo sanguíneo. Devido à falta de circulação, houve necrose do órgão, tornando necessária a realização de uma orquiectomia direita, cirurgia para retirada do testículo.
Na defesa, o município alegou que não houve falha médica, sustentou a inexistência de nexo causal e afirmou que a torção testicular é uma patologia de diagnóstico complexo.
No entanto, a perícia judicial concluiu que o primeiro atendimento apresentou “falhas técnicas relevantes”, como a ausência de exame físico escrotal adequado, de ultrassonografia de urgência e de encaminhamento imediato para uma unidade com suporte diagnóstico.
O laudo pericial também apontou que os sintomas apresentados pelo adolescente eram classicamente compatíveis com torção testicular e que um médico diligente deveria ter considerado essa hipótese como prioridade diagnóstica. Segundo o perito, a investigação inadequada e o atraso no atendimento especializado contribuíram diretamente para a perda do órgão.
Diante disso, a Justiça condenou o município ao pagamento de R$ 35 mil por danos morais e R$ 20 mil por danos estéticos, totalizando R$ 55 mil. O processo tramita em segredo de justiça.
Fonte: Com informações da NSC
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