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POLÊMICA

Câmara aprova homenagem a atleta detido por violar medida protetiva em corrida em Brusque

Corredor foi detido após a ex-companheira acionar o botão do pânico durante a corrida Corra Por Elas, no dia 11

Publicado em 21/10/2026 às 08:58

(Foto: Aline Bortoluzzi/Câmara Brusque)

A Câmara de Vereadores de Brusque aprovou, na sessão desta terça-feira (20), uma moção de congratulações ao atleta Rafael de Oliveira de Carvalho, conhecido como Rafinha, pelo hexacampeonato na corrida Corra Por Elas.

A homenagem provocou discussão entre os parlamentares porque o corredor foi detido pela Polícia Militar ao término da prova, no dia 11 de outubro, por suspeita de descumprimento de uma medida protetiva de urgência concedida à ex-companheira.

A proposta, apresentada pelo vereador André Rezini (PP), recebeu cinco votos favoráveis, de Rezini, Antônio Roberto (PRD), Jean Pirola (PP), Paulinho Sestrem (PL) e Valdir Hinselmann (PL). Bete Eccel (PT) votou contra, enquanto Felipe Hort (Novo) se absteve.

Durante a discussão, Bete afirmou reconhecer a conquista esportiva de Rafael, mas defendeu que a Câmara deveria considerar as circunstâncias envolvendo o atleta antes de conceder uma homenagem pública.

“Uma medida protetiva não é uma condenação, é uma questão de Justiça. Mas também não pode ser tratada como insignificante e precisa ser respeitada”, declarou.

A vereadora também questionou a responsabilização atribuída à mulher pela presença dos dois no mesmo evento esportivo.

“Ele estava defendendo seu título, mas ela estava no direito de estar vivendo a sua vida. A pergunta não deveria ser por que ela foi à corrida, mas sim por que ela precisa pensar duas vezes antes de frequentar um espaço público por medo ou receio de encontrar alguém que a Justiça determinou que se mantivesse afastado”, afirmou.

Bete lamentou ainda os ataques direcionados à ex-companheira do corredor nas redes sociais e justificou seu voto contrário.

“Nenhuma mulher deveria ter que convencer a sociedade de que merece viver sem medo. Uma homenagem pública exige responsabilidade. Diante dessas circunstâncias, não me sinto confortável em votar favoravelmente”, disse.

Autor da homenagem diz que desconhecia a detenção

André Rezini, autor da moção, afirmou que não sabia da detenção quando apresentou a proposta. Segundo ele, a homenagem tinha como objetivo reconhecer exclusivamente o desempenho esportivo do atleta.

“Só fiquei sabendo que ele tinha sido detido no outro dia. Respeito a vereadora e mulheres, tenho filha, esposa e irmãs, mas acho que não cabe aqui essa discussão. Não vou julgá-los”, declarou.

O parlamentar acrescentou que concordava com parte das considerações apresentadas por Bete, mas entendia que o assunto não deveria interferir na votação.

“Foi uma moção simples a um amigo meu”, afirmou.

Felipe Hort também defendeu que a homenagem dizia respeito à conquista esportiva, sem que coubesse aos vereadores julgar ou inocentar o atleta. O parlamentar, que se absteve, criticou ainda a quantidade de moções apresentadas pela Câmara e afirmou que não costuma votar nesse tipo de proposta.

Durante o debate, Bete Eccel classificou a Câmara como “machista”. A declaração foi contestada por Jean Pirola e Antônio Roberto, que criticaram a generalização feita pela vereadora.

Relembre a detenção durante a corrida

Rafael Oliveira foi detido pela Polícia Militar no dia 11 de outubro, após participar da corrida Corra Por Elas, em Brusque.

A ocorrência começou quando a ex-companheira do atleta, a advogada e corredora amadora Ana Claudia Thomaz, acionou o botão do pânico ao perceber a presença dele no evento.

Segundo o relato policial, Ana Claudia possui uma medida protetiva de urgência que determina o afastamento mínimo de 300 metros entre os dois, concedida pela Justiça após denúncias de violência psicológica e moral.

A mulher relatou aos policiais que Rafael teria passado diversas vezes próximo dela, provocando medo e sensação de ameaça.

Durante a abordagem, o atleta afirmou que possuía autorização judicial para participar da competição. Ele foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil para os procedimentos cabíveis.

Após a repercussão, Ana Claudia divulgou uma nota na qual afirmou que não pretende impedir o ex-companheiro de competir, mas deseja continuar frequentando eventos esportivos com segurança.

“Não quero impedir ninguém de correr. Quero apenas continuar correndo sem medo, sem ansiedade, com minha dignidade e meus direitos respeitados”, declarou.

Rafael também se manifestou nas redes sociais e afirmou que continuará participando de corridas em Brusque e na região.

A detenção ocorreu por suspeita de descumprimento da medida protetiva.

Fonte: Portal da Cidade Brusque

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