O ex-prefeito de Brusque, Paulo Eccel, lançou nesta terça-feira (12), em Florianópolis, o livro “Fim da escala 6x1, e o Futuro do Trabalho no Brasil”.
O evento foi realizado no auditório da Superintendência do Ministério do Trabalho e Emprego e reuniu lideranças políticas, sindicais e participantes da obra.
Organizado por Eccel, o livro reúne artigos de autoridades, representantes sindicais e estudiosos sobre as mudanças nas relações de trabalho e os debates envolvendo a jornada semanal no país.
Entre os nomes que participam da publicação estão Décio Lima, Ana Paula Lima, o ministro do Trabalho Luiz Marinho e dirigentes de centrais sindicais.
A obra aborda temas como a proposta de redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e o debate sobre o fim da escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua seis dias seguidos para ter apenas um dia de descanso.
O lançamento acontece em meio às discussões no Congresso Nacional sobre mudanças na jornada de trabalho e direitos trabalhistas.
Debate sobre a escala 6x1 cresce no país
Nos últimos meses, o modelo de escala 6x1 passou a ganhar mais espaço no debate público, principalmente nas redes sociais, entre sindicatos e também no meio político.
Entre as propostas em debate estão a redução da carga horária semanal e a adoção de modelos com mais dias de descanso, sem redução salarial.
Defensores do fim da escala afirmam que o modelo atual compromete a qualidade de vida, o descanso e o convívio familiar dos trabalhadores, especialmente em setores como comércio e serviços.
Por outro lado, representantes do setor empresarial argumentam que mudanças bruscas na jornada podem aumentar custos, impactar contratações e afetar pequenos negócios.
Hoje, a legislação brasileira permite jornadas de até 44 horas semanais, normalmente distribuídas em seis dias de trabalho e um de descanso.
O fim da escala 6x1 ainda não foi aprovado, mas o tema avançou bastante no Congresso Nacional nas últimas semanas.
Na Câmara dos Deputados, duas PECs que tratam da redução da jornada de trabalho já passaram pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que analisou apenas se as propostas são constitucionais. Agora, os textos estão em uma comissão especial, onde ocorrem audiências públicas e debates antes de uma possível votação no plenário.
As principais propostas em discussão no Congresso Nacional preveem a redução gradual da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas, a garantia de dois dias de descanso por semana e, em uma das versões apresentadas, a adoção de um modelo com quatro dias de trabalho e três dias de folga.
Além das PECs, o governo federal também enviou um projeto defendendo jornada de 40 horas semanais e dois dias de descanso, sem redução salarial.
Atualmente, a proposta conta com apoio mais forte de partidos de esquerda, sindicatos e parte do governo federal, enquanto setores do centro político demonstram abertura para discutir mudanças na jornada de trabalho.
Em oposição, partidos de direita, representantes do empresariado e segmentos do comércio e serviços seguem demonstrando resistência, em sua maioria, contrários à proposta, alegando possíveis aumentos de custos, impactos nas contratações e dificuldades operacionais para as empresas. No cenário atual, a tendência é de avanço das discussões na Câmara dos Deputados, embora o tema ainda enfrente negociações e resistência no Senado.