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JUDICIÁRIO

Empresário de Brusque é condenado pelo STF por financiar atos de 8 de janeiro

Defesa informou que pretende recorrer da decisão; caso foi julgado pela Primeira Turma em sessão virtual

Publicado em 13/03/2026 às 07:58

(Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

O empresário Vilamir Valmor Romanoski, de Brusque, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação no financiamento dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. A decisão também condenou outros dois empresários de Santa Catarina.

Além de Romanoski, foram condenados Rene Afonso Mahnke e Alcides Hahn, ambos de Corupá, no Norte do estado. A Primeira Turma do STF considerou a ação penal procedente e fixou pena de 14 anos de prisão, com início em regime fechado.

De acordo com a decisão, os três foram considerados culpados pelos crimes de associação criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Segundo as investigações, os empresários teriam atuado como financiadores e incentivadores de participantes dos atos que resultaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília, após o resultado das eleições presidenciais de 2022.

Financiamento de viagem

A apuração da Polícia Federal indicou que os três réus contribuíram financeiramente para custear um ônibus que saiu de Santa Catarina rumo à capital federal dias antes dos ataques.

O veículo teria partido de Blumenau no dia 5 de janeiro de 2023, transportando 41 pessoas com destino a Brasília. Entre os passageiros, segundo a investigação, havia ao menos um participante direto das invasões ocorridas no dia 8 de janeiro.

De acordo com o processo, os empresários participaram do pagamento do transporte utilizado pelo grupo.

Argumentos da defesa

Durante o processo, as defesas negaram envolvimento direto nos atos.

No caso de Rene Mahnke, os advogados afirmaram que a acusação se baseia em uma transferência via PIX de R$ 1 mil para a empresa responsável pelo ônibus, sem comprovação de que ele tenha participado das manifestações ou aderido a qualquer plano golpista.

Já a defesa de Alcides Hahn alegou que a acusação se sustenta em uma transferência de R$ 500, também sem comprovação de que o valor teria sido destinado ao financiamento da viagem ou de que ele soubesse de eventual finalidade ilícita.

Defesa de empresário de Brusque vai recorrer

A defesa do empresário brusquense Vilamir Valmor Romanoski, representada pelo advogado Leandro Allein, informou que pretende recorrer da decisão.

Segundo o advogado, a condenação segue o mesmo padrão aplicado a outros réus julgados pelos atos de 8 de janeiro. Ele também criticou a condução do processo e afirmou que a denúncia seria baseada em uma “retórica distorcida dos fatos”.

Entre os pontos citados pela defesa está a caracterização de grupo armado no processo. O advogado afirmou que não houve apreensão de armas de fogo e mencionou que até bolinhas de gude teriam sido consideradas no enquadramento.

A defesa também argumentou que os ônibus que levaram manifestantes a Brasília teriam sido orientados por policiais a permanecer em um pátio na capital federal, o que, na visão do advogado, indicaria uma espécie de “armadilha”.

Romanoski responde ao processo em liberdade.

Indenização coletiva

Além das penas de prisão, os três condenados também foram responsabilizados pelo pagamento de R$ 30 milhões por danos morais coletivos. O valor deverá ser pago de forma solidária com outros condenados e será destinado a um fundo previsto na Lei de Ação Civil Pública.

A decisão foi tomada por unanimidade pela Primeira Turma do STF, em julgamento realizado em sessão virtual entre os dias 20 e 27 de fevereiro de 2026, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Fonte: Portal da Cidade Brusque

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